Bélgica 5 – 0 Tunísia | Análise

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Neste Bélgica vs Tunísia analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.

Bélgica e Tunísia encontraram-se num amigável que, à partida, parecia equilibrado no ritmo, mas rapidamente mostrou uma diferença clara de qualidade. A Bélgica já não é aquela seleção temida de 2018, perdeu força coletiva e algumas referências, mas continua a ter talento suficiente para resolver jogos com naturalidade. Do outro lado, a Tunísia entrou com atitude, como é habitual nas seleções africanas, mas com limitações evidentes quando o nível sobe.

O jogo começou com a Bélgica por cima, a querer assumir desde cedo, e isso notou-se logo na forma como Doku era constantemente acionado pela esquerda. Era nele que o jogo ofensivo passava quase sempre, com aceleração, drible e capacidade de desequilíbrio.

A Tunísia ainda tentou responder num dos primeiros lances perigosos, com Omar Rekik a rematar por cima após um cruzamento bem trabalhado, mas foi um momento isolado. A partir daí, a Bélgica controlou completamente, embora nem sempre com eficácia no último terço. De Bruyne teve uma boa oportunidade após passe de Doku, mas não conseguiu enquadrar.

Com o passar dos minutos, o domínio tornou-se mais evidente e o golo acabou por surgir com naturalidade aos 28’. Doku recebeu na esquerda, entrou na área com calma, prendeu o tempo e serviu Trossard com um passe simples e perfeito para encostar. Um lance que resume bem o jogo até aí: desequilíbrio individual de Doku e facilidade na finalização.

Até ao intervalo, pouco mudou. A Bélgica continuou por cima, Doku continuou a ser o jogador mais perigoso e a Tunísia mostrou muitas dificuldades para sair com qualidade. Houve ainda alguma tensão já perto do descanso, com De Bruyne envolvido numa discussão após falta sobre Doku, mas nada que mudasse o rumo do jogo.

A segunda parte começou na mesma linha e o segundo golo apareceu aos 52’. Tielemans cruzou com qualidade pela esquerda e De Ketelaere subiu bem para um bom cabeceamento. Um golo importante para um jogador que até aí estava apagado, mas que apareceu no momento certo.

Curiosamente, a melhor fase da Tunísia surgiu pouco depois, com Achouri a acertar na forquilha num remate de grande qualidade. Foi o único momento em que a equipa mostrou capacidade real de incomodar, mas tudo mudou aos 62’, quando Gharbi viu o segundo amarelo após falta sobre Doku e deixou a equipa reduzida a dez.

A partir daí, o jogo acabou. Aos 65’, Doku voltou a fazer a diferença, soltou em De Bruyne à entrada da área e o médio, com demasiado espaço, rematou de forma inteligente para o 3-0. Um lance simples, mas que mostra a qualidade de decisão de um jogador de topo.

Com mais espaço e menos oposição, a Bélgica foi gerindo e aumentando o resultado. Aos 85’, Fernández-Pardo trabalhou bem na esquerda, cruzou para o centro e, após alguma confusão, Lukebákio finalizou com um gesto acrobático dentro da pequena área. Dois minutos depois, aos 87’, Raskin aproveitou uma bola aliviada à entrada da área e rematou de primeira para fechar o marcador.

O resultado acaba por ser pesado, mas ajusta-se ao que foi o jogo: uma Bélgica dominante, muito apoiada no talento de Doku, contra uma Tunísia que tentou, mas que nunca teve argumentos suficientes para equilibrar.

Pós-jogo

Fica a ideia de que esta Bélgica está longe do auge, mas continua perigosa quando tem espaço e inspiração individual, especialmente em jogadores como Doku e De Bruyne.
Já a Tunísia mostrou atitude, mas também deixou claro que, contra seleções deste nível, a margem de erro é mínima e a diferença técnica pesa muito.

Estatísticas no final do jogo

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