· 2 min de leituraNeste Países Baixos vs Japão analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Primeiro jogo para Países Baixos e Japão neste Mundial e havia uma sensação clara: nomes mais fortes do lado europeu, mas um coletivo japonês capaz de complicar muito. E foi exatamente isso que se viu. Um jogo mais tático do que espetacular, muitas vezes fechado, quase como um xadrez, onde cada erro podia pesar demasiado.
A entrada dos Países Baixos teve alguma iniciativa, mais bola, mais presença no meio-campo ofensivo, mas sem grande capacidade de transformar isso em perigo real. Logo aos 3’, Malen mostra o que podia ser uma solução: bom pivô, roda e remata com força, obrigando Suzuki a uma boa defesa. Ficou a ideia de que ali havia caminho, mas nunca foi realmente explorado de forma consistente.
O Japão, por outro lado, deixou claro desde cedo que não vinha só para defender. Linha de cinco bem organizada, bloco compacto, muita gente por dentro a fechar espaços. Não era uma equipa passiva, era uma equipa paciente. Esperava, mas sabia quando pressionar. Aos poucos, o jogo foi ficando preso, com pouca profundidade e quase nenhuma criatividade no último terço.
Os Países Baixos tinham mais posse, mas isso pouco dizia. Circulavam, tentavam encontrar espaços, mas esbarravam sempre na disciplina japonesa. Aos 33’, nova pressão alta, quatro jogadores a encostar no portador da bola, Malen remata, mas novamente sem sucesso, bloqueado. Era esforço, mas faltava sempre aquele detalhe final.
A bola parada parecia ser o único caminho realmente perigoso para os neerlandeses, muito por causa da diferença física e da altura. Isso ficava evidente e com alguns sinais ao longo da primeira parte.
O Japão também dava sinais, principalmente pela entrega. Nakamura, sempre muito ativo, ia aparecendo tanto a defender como a tentar ligar jogo. Já perto do intervalo, tem um remate perigoso, mas sem direção suficiente para causar verdadeiro perigo. No geral, uma primeira parte equilibrada, mas pouco inspirada.
A segunda parte muda cedo o rumo. Aos 50’, finalmente o desbloqueio. Gravenberch, muito apagado até então, aparece com um cruzamento bem medido. Van Dijk, quase sem precisar de saltar, impõe-se no ar e cabeceia com força. A bola ainda bate no poste antes de entrar. Um golo que confirma aquilo que o jogo já dizia: só mesmo assim.
Mas a resposta japonesa foi imediata. Aos 56’, Kubo recebe na esquerda, levanta a cabeça e encontra Nakamura. Dentro da área, bem marcado, consegue espaço para puxar e rematar ao primeiro poste. Um golo de execução rápida, surpreendente, que apanha a defesa desprevenida. 1-1.
O jogo abre um pouco mais e aí aparece mais talento individual. Aos 64’, Gravenberch volta a aparecer, desta vez com um passe de rutura de grande qualidade. Summerville fica no um para um, puxa para dentro e remata colocado, perto do poste mais distante. Um golo com assinatura individual, algo que tinha faltado durante muito tempo.
Mesmo em desvantagem, o Japão nunca deixou de acreditar, mas tinha dificuldades em criar perigo claro. Ainda assim, manteve-se no jogo, sempre organizado, sempre à espera do momento certo. E esse momento chegou já no fim. Aos 89’, canto para a área, no meio de jogadores mais altos e mais fortes, Kamada aparece e consegue cabecear para o fundo da baliza. Um golo improvável, mas que diz muito sobre a atitude da equipa.
Pós-jogo
Resultado que acaba por refletir bem o que foi o jogo. Países Baixos com mais qualidade individual, mas demasiado previsíveis e com problemas claros na finalização.
Japão extremamente organizado, competitivo e eficaz nos momentos certos. Num grupo destes, este empate pode pesar muito nas contas finais.


