· 2 min de leituraNeste Costa do Marfim vs Noruega analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Jogo equilibrado no papel e que dentro de campo confirmou isso durante largos períodos. Duas seleções com armas diferentes: a Costa do Marfim com mais volume coletivo, mais gente envolvida, e a Noruega com momentos de qualidade individual capazes de decidir tudo num instante.
A primeira parte foi muito fechada durante bastante tempo. As duas equipas respeitaram-se muito, quase em demasia. Pouco risco, muita organização e uma sensação constante de que ninguém queria ser a primeira a errar.
A Costa do Marfim até parecia ligeiramente mais confortável. Tinha mais bola em certos momentos, conseguia circular melhor, e defensivamente estava muito sólida. Não deixava a Noruega jogar por dentro e isso tirava muito do jogo deles, principalmente de Ødegaard, que esteve muito apagado durante grande parte da primeira parte.
Mas também havia um problema claro: faltava perigo. Chegava a zonas interessantes, principalmente pelo lado de Pépé, mas a definição falhava sempre. Ou o remate saía torto, ou a decisão era a errada.
Do lado da Noruega, a dificuldade era outra. Não conseguia ligar jogo pelo centro e insistia muito em jogar por fora, muitas vezes de forma previsível. Sørloth aberto na direita continuava a ser uma ideia estranha, e isso limitava bastante o ataque.
Ainda assim, bastou um momento para mudar tudo. Aos 39’, Ødegaard finalmente aparece. Recebe, levanta a cabeça e encontra Nusa numa situação de um para um. Nusa parte para cima do defesa, ginga, puxa para dentro e remata em arco, daqueles remates que não dão hipótese. A bola entra no ângulo. Um golo de talento puro, praticamente criado do nada.
E isso muda completamente o jogo. A Noruega ganha confiança e, logo a seguir, quase amplia. Sørloth cruza, ganha no ar, a bola sobra para Haaland, e só um corte de Sangaré impede o segundo golo. Foi ali um momento em que o jogo podia ter fugido.
Na segunda parte, a reação da Costa do Marfim foi clara. Subiu linhas, começou a pressionar mais alto e empurrou a Noruega para trás. Já não era só posse, era presença ofensiva real.
Pépé começou a aparecer mais, Diallo também, e o jogo passou a ser jogado muito mais perto da área norueguesa. A Noruega, por sua vez, aceitou baixar e tentar sair em transição.
E o empate surge com naturalidade aos 74’. Jogada bem construída, combinação entre Pépé e Diallo, com Diallo a receber já dentro da área. Ødegaard tenta acompanhar, mas não consegue travar. Diallo conduz, puxa para dentro e remata colocado. Um golo muito bem trabalhado individualmente, mas que nasce de uma boa ligação coletiva.
Com o empate, o jogo volta a abrir. A Noruega percebe que precisa de mais e começa a subir novamente. Ødegaard cresce, aparece mais no jogo, começa a ligar melhor os ataques.
E isso faz a diferença. Aos 86’, jogada rápida, Bobb encontra Ødegaard na desmarcação, e ele, com calma, oferece praticamente o golo a Haaland. Passe simples para o centro da área e Haaland encosta. Não foi bonito, até pareceu que podia falhar, mas o mais importante é que entrou.
Até ao fim, a Costa do Marfim ainda tentou tudo. Empurrou, cruzou, arriscou. E esteve perto, num livre de Diallo já nos descontos, mas Nyland responde com uma grande defesa.
Pós-jogo
Vitória muito à imagem da Noruega: nem sempre brilhante, mas extremamente eficaz quando teve as suas oportunidades. Aproveitou os momentos certos e teve nos seus jogadores-chave a diferença.
Já a Costa do Marfim fez um jogo interessante, teve fases de controlo, mas voltou a pecar na definição. E em mata-mata, isso paga-se caro.


