Argentina 3 – 2 Cabo Verde | Análise

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Neste Argentina vs Cabo Verde analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.

Era um daqueles jogos que, no papel, parecia ter um único sentido. Argentina com bola, Cabo Verde a resistir e a tentar sobreviver. E durante muito tempo, foi exatamente isso. Mas o futebol tem uma forma curiosa de complicar o que parece simples.

A Argentina entrou a controlar, mas sem grande intensidade. Tinha posse, instalava-se no meio-campo ofensivo, mas faltava urgência. Cabo Verde defendia com tudo, linhas juntas, poucos espaços, à espera de um erro ou de um momento.

Messi ia sendo o único a tentar acelerar. Procurava espaços, rematava quando podia, mas nem sempre com as melhores condições. E do outro lado, Vozinha ia dando espetáculo, até com bola nos pés, mostrando confiança.

O golo surge aos 29’, e nasce de um momento de qualidade pura. Lisandro Martínez vê o movimento de Messi e mete uma bola perfeita nas costas da defesa. Messi domina com classe e finaliza forte, para o teto da baliza. Um lance simples na execução, mas difícil na ideia e no timing.

Mesmo em vantagem, a Argentina não mudou muito. Continuou a controlar, mas sem matar o jogo. E isso foi deixando Cabo Verde vivo.

Na segunda parte, tudo muda. Cabo Verde entra melhor, mais solto, mais corajoso. E isso tem recompensa.

Aos 59’, jogada pela direita com Ryan Mendes a encontrar Deroy Duarte já com pouco ângulo. Mesmo assim, ele decide bem, remata com qualidade e bate Dibu Martínez. Um golo histórico, não só pelo momento, mas pela forma como a equipa acreditou.

E a partir daí, o jogo fica completamente diferente. A Argentina sente o golpe, começa a acelerar, mas também a forçar. Messi tenta resolver, tem um lance isolado, tem livres perigosos, mas Vozinha aparece sempre. Enorme exibição.

Cabo Verde, por sua vez, já não é só resistência. Começa a acreditar mesmo. Continua limitado, claro, mas mais atrevido.

O jogo vai para prolongamento, e logo aí há mais um golpe.

Aos 92’, canto para a Argentina, bola desviada no primeiro poste e Lisandro Martínez reage rápido, evita que saia e remata com força para dentro. Um golo de insistência, de quem acredita até ao fim do lance.

Mas quando parecia que isso ia decidir tudo, Cabo Verde responde de forma incrível. Aos 103’, Sidny Lopes Cabral recebe na esquerda, puxa para dentro e remata colocado ao ângulo. Um daqueles golos que não se explicam muito, apenas se apreciam. O momento do jogo.

E quando tudo apontava para penáltis, surge o momento mais cruel. Aos 111’, canto de Messi, Romero ganha no ar e a bola desvia em Diney. Um toque infeliz, na mão, que muda completamente a trajetória e trai o guarda-redes. Um autogolo que decide tudo, num verdadeiro anticlímax.

Até ao fim, Cabo Verde ainda tentou, ainda acreditou, obrigou Dibu Martínez a aparecer, mas já não conseguiu voltar.

Foi um jogo muito mais difícil do que se previa para a Argentina, e um jogo histórico para Cabo Verde.

Pós-jogo

Argentina segue em frente, mas com muitos avisos. Voltou a ter dificuldades para controlar o jogo emocionalmente e quase pagava caro.
Já Cabo Verde sai de cabeça levantada. Competiu, marcou, levou uma seleção gigante ao limite e deixou uma imagem incrível.

Estatísticas no final do jogo

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