· 2 min de leituraNeste Canadá vs Marrocos analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O jogo começou com uma pequena surpresa. Era esperado um Marrocos dominante desde início, mas quem entrou melhor foi o Canadá. Mais agressivo, mais direto, a tentar aproveitar qualquer erro e a empurrar o jogo para perto da área marroquina.
Durante esse período inicial, o Canadá conseguiu incomodar, sobretudo através de erros defensivos de Marrocos. Faltou sempre o último passe, a decisão final, mas a sensação era clara: Marrocos estava desconfortável.
E isso manteve-se durante praticamente toda a primeira parte. Marrocos tinha mais bola, como seria natural, mas era uma posse estéril. Circulava longe da área, sem conseguir ligar jogo, sem criatividade. A saída de Saibari por lesão também não ajudou nada nesse sentido.
Do outro lado, o Canadá defendia bem e parecia sempre mais perto de criar perigo, mesmo tendo menos bola. Ainda assim, também não fazia muito com isso. Era um jogo estranho, com pouca qualidade ofensiva e muitos duelos, muitas faltas, muito nervosismo.
O resultado ao intervalo explicava bem o que se viu: muito combate, pouca clareza.
Na segunda parte, tudo muda muito rápido. Aos 50’, num lance de bola parada, Hakimi decide jogar rasteiro para a entrada da área e encontra Ounahi completamente sozinho. Ninguém sai na pressão, ninguém acompanha, e ele tem tempo para dominar e rematar rasteiro, colocado, sem hipótese para Crépeau. Um golo que nasce mais de desatenção do que de construção.
E esse golo muda completamente o jogo. O Canadá perde a organização que tinha, começa a correr mais riscos e o jogo abre. Só que abrir o jogo contra uma equipa como Marrocos é meio caminho andado para sofrer.
Ainda assim, o Canadá tentou. Teve um ou outro remate de fora, alguma pressão, mas sempre sem grande perigo real. Faltava qualidade, faltava alguém que resolvesse. E aqui entra uma questão difícil de perceber: Davies no banco o jogo todo. Numa equipa que precisa de desequilíbrio, de velocidade, de algo diferente, simplesmente não entra.
Marrocos, por outro lado, começa a encontrar espaço. E quando encontra espaço, é muito mais confortável.
O segundo golo surge aos 82’, num contra-ataque bem conduzido. Brahim Díaz puxa para dentro pela direita, atrai a atenção e solta no momento certo para Ounahi. Ele aparece outra vez com espaço e finaliza com qualidade. Um lance simples, mas muito bem executado.
A partir daí, o jogo fica decidido. O Canadá já não tem organização nem clareza para reagir, e Marrocos controla.
Ainda há tempo para fechar o jogo de forma clara. Aos 90+7’, recuperação ofensiva, bola nas costas da defesa e Rahimi aparece isolado. Com espaço, com tempo, finaliza e faz o terceiro. Um golo que resume bem o final: Canadá exposto, Marrocos eficaz.
Pós-jogo
Marrocos confirma o favoritismo, mas não foi um jogo tão fácil quanto o resultado indica. Cresceu no momento certo e foi eficaz.
Já o Canadá sai com a sensação de que podia ter feito mais, sobretudo pelas decisões do treinador. A ausência de Davies é difícil de justificar.


