· 2 min de leituraNeste França vs Bélgica analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
França e Bélgica voltavam a encontrar-se pela segunda vez nesta Nations League, depois de uma vitória francesa por 1-0 na Bélgica, decidida por Olise aos 88′. Quem vencesse hoje terminaria a quarta jornada no primeiro lugar, mas a França de Zidane ainda tinha algo a provar. Os resultados têm sido magros, houve o empate com a Itália e, apesar de todo o talento disponível, ainda faltava aquele jogo em que a seleção francesa realmente mostrasse tudo o que tem.
Zidane continuou a rodar a equipa, com Dembélé a voltar à direita e Yoro a fazer a sua primeira titularidade pela seleção. A França tinha mais bola, principalmente no meio-campo ofensivo, mas faltava velocidade. Aos 15′, Barcola ainda apareceu na desmarcação após uma boa combinação com Koné, mas tentou levantar a bola e encontrou Vandevoordt, também estreante, a sair muito bem da baliza.
Aos 30′, a sensação era clara: a França tinha posse, tentava, mas a Bélgica estava perfeitamente confortável a defender. E posse sem acelerar não assusta ninguém. A seleção de Zidane precisava de mais, porque qualidade para isso não falta.
E acabou por ser a Bélgica a marcar. Aos 35′, Lavia lançou Lukebakio na profundidade, Diouf não acompanhou a corrida e o belga ficou completamente sozinho perante Restes. Conduziu com espaço e rematou alto para fazer um belo golo. 0-1.
Ao intervalo, 64% de posse para a França, 10 remates contra 4, mas apenas 0.61 de xG contra 0.55. A Bélgica estava a defender de forma impecável e era difícil não pensar que estava na hora de Zidane chamar a cavalaria: Olise, Doué e Cherki.
A segunda parte começou exatamente como tinha terminado a primeira. Só aos 60′ é que chegaram Olise e Cherki, com Dembélé a sair depois de um jogo pouco conseguido. E aí a França mudou completamente de figura.
Cherki obrigou Vandevoordt a uma bela defesa aos 66′, e aos 72′ Olise criou perigo pela direita, entrando no espaço curto antes de colocar a bola na área. Barcola rematou, mas a bola bateu no calcanhar de um defesa. Foi a última ação do extremo, substituído por Doué.
E a cavalaria começou a funcionar. Aos 77′, Doué recebeu já a puxar para a esquerda e, sem sequer precisar de olhar para a baliza, rematou de fora da área. A bola foi rasteira, para o canto, e entrou. 1-1. Um remate improvável e um empate merecido.
Três minutos depois, Cherki apareceu sem marcação após Olise chegar à linha final e colocar a bola para dentro. O remate foi defendido, mas a bola bateu na luva de Vandevoordt e acabou dentro da baliza. 2-1. Aqui houve azar do guarda-redes belga, mas a entrada dos três jogadores mudou completamente a França.
Aos 88′, Doué voltou a fugir pela direita e cruzou rasteiro. Olise esticou a perna e a bola entrou devagarinho. 3-1. E aos 90′, novo contra-ataque: Doué dominou de letra pela esquerda, puxou para dentro e colocou Olise na desmarcação. O extremo rematou e fez o quarto.
Quatro golos entre os 77′ e os 90′. É talento puro. A França passou de uma equipa lenta, previsível e sem grande perigo para uma equipa capaz de destruir o jogo em poucos minutos.
Pós-jogo
A rotação é necessária numa sequência tão apertada de jogos, mas fica também a sensação de que, quando a cavalaria entra, há simplesmente talento a mais para a maioria dos adversários.


