· 2 min de leituraNeste Al Nassr vs Al Fateh analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O arranque oficial da Saudi Pro League traz sempre uma curiosidade diferente, mas este jogo tinha vários ingredientes extra. O Al Nassr entrava em campo como campeão em título, mas também com um novo treinador, novas ideias e uma realidade pouco habitual: a ausência de Cristiano Ronaldo. Além disso, a única contratação do mercado, Samu Costa, também estava disponível e existia uma enorme curiosidade para perceber o que mudaria numa equipa que perdeu Brozovic e que parece querer alterar a sua identidade.
Ange Postecoglou estreava-se oficialmente e, desde os primeiros minutos, ficou evidente que a equipa procurava algo diferente. O Al Nassr mostrou-se mais vertical, menos preocupado em ter posse de bola apenas por ter e muito mais interessado em acelerar o jogo sempre que encontrava espaço.
João Félix começou mais encostado ao lado esquerdo e assumiu o protagonismo muito cedo. Aos 15 minutos, protagonizou um dos momentos mais impressionantes da primeira parte. Rematou de fora da área, obrigou Waled Al-Enazi a uma grande defesa e, na recarga, Ângelo apareceu completamente sozinho. Parecia um golo certo, mas o remate saiu demasiado centrado e o guarda-redes do Al Fateh, ainda caído no chão, conseguiu fazer uma defesa inacreditável.
A pressão ofensiva do Al Nassr continuava a crescer e a equipa começava a explorar mais as bolas longas e os movimentos dos extremos. O golo parecia inevitável e apareceu aos 37 minutos. Salem cruzou pela esquerda, a bola atravessou toda a área e Ângelo surgiu numa posição nada fácil. Sem deixar a bola tocar no chão, rematou de primeira, a bola ainda ressaltou no relvado e acabou dentro da baliza. Um belo golo e uma vantagem completamente merecida.
Mas o melhor estava guardado para os 40 minutos. João Félix recebeu dentro da área, mesmo com marcação apertada, aplicou um elástico, passou a bola entre as pernas do adversário e rematou para o ângulo mais próximo. Um daqueles golos que fazem qualquer adepto levantar-se da cadeira. O 2-0 refletia aquilo que estava a acontecer em campo.
O Al Fateh ainda tentou responder antes do intervalo e esteve muito perto de reduzir. Num contra-ataque rápido, Al Abdulwahed apareceu sozinho no segundo poste, mas acertou no poste. Era uma oportunidade demasiado clara para ser desperdiçada.
A segunda parte foi muito menos interessante. O ritmo baixou, o jogo ficou mais equilibrado e as oportunidades praticamente desapareceram. Ainda assim, Mané começou finalmente a aparecer mais nas jogadas e o Al Nassr continuou a controlar o encontro.
Outro detalhe importante foi o desaparecimento de Batna. A principal referência ofensiva do Al Fateh nunca conseguiu impor-se e isso facilitou muito a vida da defesa adversária.
Aos 66 minutos, chegou o momento mais aguardado da segunda parte. Samu Costa entrou em campo e bastaram alguns minutos para deixar a sua marca. Aos 73 minutos, um cruzamento encontrou Al-Hamdan dentro da área. O avançado não conseguiu dominar, a bola sobrou para trás e Samu apareceu de frente para a baliza para rematar com força e marcar na estreia.
O 3-0 acabou por fechar o jogo, embora o Al Nassr ainda tenha ameaçado aumentar a vantagem. Yahya acertou no poste nos minutos finais e a sensação era evidente. O quarto golo esteve mais perto do que o primeiro do Al Fateh.
Pós-jogo
O resultado não deve iludir. O Al Fateh não é uma equipa fraca e o Al Nassr apresentou sinais interessantes neste primeiro jogo oficial. A maior diferença esteve na abordagem. A equipa parece muito mais vertical e menos dependente da circulação lenta que tantas vezes se via anteriormente.


