· 2 min de leituraNeste Bélgica vs Egito analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Havia uma expectativa clara para este jogo: Bélgica favorita, mais talento, mais soluções, e um Egito organizado, perigoso na transição e com jogadores capazes de aproveitar qualquer erro. E foi exatamente por aí que o jogo começou a desenhar-se.
O jogo começou bastante equilibrado, sem ninguém a assumir a posse de bola desde cedo. Muito jogo da Bélgica a passar por De Bruyne, alguma tentativa de acelerar com Doku, mas sempre com dificuldades em encontrar espaço.
E quando o jogo parecia controlado, apareceu o momento que mudou tudo. Aos 20’, Salah recebe, levanta a cabeça e solta para Emam Ashour, completamente à vontade fora da área. Tempo e espaço que não se podem dar a este nível. Ashour não hesita: remate fortíssimo, seco, sem hipótese para Courtois. Um grande golo, daqueles que não se defendem, mas que se evitam.
A partir daí, a Bélgica ficou ainda mais presa. Tinha mais posse, mas pouca ideia. Tentava muitas vezes encontrar Doku no um para um, mas o extremo estava sempre bem marcado, quase sempre em inferioridade numérica. E quando isso acontece, o plano começa a ficar curto.
Ainda antes do intervalo, uma das melhores oportunidades belgas surge já em tempo de compensação. Bola levantada para a área, desvio de cabeça e Doku aparece com espaço para finalizar. Remate de primeira, por cima.
Do outro lado, o Egito fazia o jogo que queria. Defendia bem, saía quando podia e, acima de tudo, mantinha a Bélgica longe da baliza.
Na segunda parte, a Bélgica tentou mexer, alterar posicionamentos, procurar novas soluções. De Bruyne continuava a assumir, e aos 53’ esteve muito perto de mudar o rumo com um livre direto ao poste. Um daqueles momentos em que o estádio já gritava golo.
Mas a sensação mantinha-se: muito esforço, pouca clareza. E só com a entrada de Lukaku é que algo realmente mudou. Mais presença na área, mais peso e mais referência.
E o empate nasce precisamente disso. Aos 66’, bola rasteira para a área, Lukaku fixa os centrais, arrasta tudo com ele, e na confusão, Hany acaba por desviar para a própria baliza. Um lance caótico, mas que começa naquilo que a Bélgica não teve durante muito tempo: alguém para ocupar aquele espaço. 1-1.
O jogo abriu um pouco mais depois disso. A Bélgica acreditou, subiu linhas, começou a criar mais perigo. Aos 82’, cruzamento de De Bruyne e Mechele aparece a cabecear com força, obrigando Mostafa Shobeir a uma grande defesa.
Até ao fim, ainda houve tempo para mais uma tentativa de Lukaku de cabeça, mas sem direção. Ficou a sensação de que a Bélgica podia ter feito mais, mas nunca soube bem como. O jogo do Egito é admirável e vão dar problemas contra qualquer seleção que forem contra.
Pós-jogo
Empate que acaba por castigar uma Bélgica pouco criativa e demasiado dependente de momentos individuais. Se a Bélgica quiser ir longe, vai ter que encontrar muito mais soluções ofensivas.


