· 2 min de leituraNeste Cagliari vs Juventus analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
A Juventus entrou em campo com a obrigação de ganhar, mas saiu de Cagliari com um empate que sabe a pouco. A equipa tem mais qualidade, mais nome e mais soluções, mas há um problema que começa a ser evidente: marcar golos. Na sexta jornada, o central Bremer e Zhegrova, que nem sequer é titular habitual, eram os melhores marcadores da equipa, com apenas dois golos cada. Não é sustentável depender disto durante uma temporada inteira.
O Cagliari, por sua vez, é daquelas equipas que não precisam de dominar para complicar a vida a qualquer adversário. Entrou com a estratégia bem definida, fechou os espaços e esperou pela oportunidade de sair em contra-ataque. E a Juventus, apesar de ter muita bola, começou a mostrar dificuldades para encontrar soluções. Remates de longe, cruzamentos sem grande critério e pouca capacidade para criar perigo.
Ter 72% de posse ao intervalo é bonito nas estatísticas, mas com apenas um remate enquadrado e 0,30 golos esperados, não serve de grande coisa.
Aos 20 minutos, o Cagliari aproveitou precisamente aquilo que a Juventus não conseguiu fazer: construir um ataque com qualidade. Daniel Maldini combinou com Mendy, rematou e viu a bola ser bloqueada. Mendy segurou muito bem de costas para a baliza, serviu novamente Maldini e o italiano, filho da lenda Paolo Maldini, rematou rasteiro. Vicario deixou a bola passar por baixo do corpo (foi o que pareceu) e o Cagliari ficou em vantagem. Não foi um remate perfeito, mas foi suficiente.
A equipa de Turim mexeu ao intervalo e Zhegrova trouxe outra energia, mas que também acabou por ser pouco. Começou a desequilibrar pela direita, a driblar e a obrigar Caprile a trabalhar. Kolo Muani chegou a deixar passar uma bola rasteira de Zhegrova quando tinha condições para rematar. Um ponta de lança tem de arriscar nestes lances. Não precisa de marcar sempre, mas não pode deixar escapar oportunidades destas.
O jogo foi-se arrastando, com a Juventus a ter bola e o Cagliari cada vez mais preocupado em defender. Faltavam velocidade, criatividade e ideias. Até que, aos 81 minutos, chegou o empate: Alajbegović cruzou pela esquerda e Kolo Muani, bem posicionado à frente do marcador, cabeceou para o canto. Um golo que já se adivinhava, porque a Juventus estava a insistir cada vez mais pelo jogo aéreo.
E a Juventus ainda teve tudo para levar os três pontos. Aos 85 minutos, Kolo Muani apareceu sozinho na pequena área, cabeceou ao travessão e desperdiçou uma oportunidade com 0,70 de golos esperados. A bola ainda sobrou para Woltermade, que cabeceou fraco para a defesa de Caprile. É daqueles lances em que um avançado tem mesmo de fazer melhor. Pouco depois, Kolo Muani voltou a tentar, desta vez com um remate acrobático, mas Caprile respondeu com uma grande defesa.
Pós-jogo
A Juventus teve mais bola, mais remates e terminou por cima, mas passou demasiado tempo a jogar sem ideias. Contra uma equipa tão fechada, é preciso mais do que cruzar à espera que alguém resolva.


