· 2 min de leituraNeste Espanha vs Áustria analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Havia algum espaço para dúvida antes do jogo, muito por culpa do Mundial irregular da Espanha. Mas dentro de campo, essa dúvida durou pouco. Não foi uma exibição perfeita, mas foi uma exibição controlada, madura e, acima de tudo, muito superior àquilo que a Áustria conseguiu oferecer.
A entrada até foi equilibrada. A Espanha teve dois momentos em transição, a Áustria respondeu com organização e alguma agressividade. Mas rapidamente se percebeu o rumo: posse para a Espanha, bloco compacto da Áustria e muita dificuldade austríaca em sair.
E aqui há um detalhe importante. A Áustria até defendia bem posicionada, com linhas juntas, mas quando recuperava a bola não sabia o que fazer com ela. Faltava critério, faltava qualidade, e isso acabava por devolver a bola à Espanha quase sempre.
Do lado espanhol, o jogo ia sendo construído com paciência. Yamal constantemente pressionado com dois jogadores, Olmo a tentar encontrar espaços entre linhas, e Cucurella muito ativo no corredor esquerdo. Não era um domínio sufocante, mas era consistente.
Ainda houve um aviso num lance de bola parada, com Cucurella a marcar, mas o golo foi anulado por falta sobre o guarda-redes. Decisão correta, num lance daqueles que noutros contextos até poderia passar.
O golo válido surge aos 37’, e é um bom resumo do jogo. Bola na esquerda, Cucurella com tempo e espaço para decidir, cruza rasteiro e encontra Oyarzabal completamente solto na área. Ele só tem de ajustar e finalizar com calma. Um lance simples, mas que nasce de algo que a Áustria nunca conseguiu impedir: liberdade nos corredores.
A vantagem ao intervalo era justa e até podia ser maior. A Áustria praticamente não existia ofensivamente, e isso começava a pesar.
Na segunda parte, a expectativa era ver uma reação austríaca, mas ela nunca chegou verdadeiramente. Houve tentativa, mais jogadores na frente, mais jogo direto, mas tudo muito previsível. Perdiam a bola com facilidade e davam espaço para a Espanha gerir.
E a Espanha foi crescendo com isso. Mais espaço, mais confiança, mais controlo emocional do jogo. Já não era só posse, era também ameaça.
O segundo golo, aos 66’, nasce outra vez pela esquerda. Baena recebe e cruza com qualidade. Porro aparece sozinho na área, completamente esquecido, e cabeceia para dentro. Mais um lance onde a marcação falha e a Espanha aproveita sem hesitar.
A partir daí, o jogo fica resolvido. A Áustria ainda tenta recorrer à bola aérea, coloca jogadores mais altos, mas sem grande sucesso. Faltava sempre qualquer coisa: precisão, timing, qualidade no último toque.
E a Espanha, confortável, vai controlando com bola. Sem pressa, sem riscos, à espera do momento certo.
Esse momento aparece aos 89’. Mais uma vez pela esquerda, mais uma vez com espaço. Cucurella cruza rasteiro e Oyarzabal volta a aparecer bem posicionado. Finaliza com qualidade, colocado, fechando o jogo de forma clara. 3-0
Pós-jogo
Boa resposta da Espanha num jogo a eliminar. Não foi brilhante em todos os momentos, mas foi séria, controladora e eficaz. Cucurella esteve em destaque com duas assistências e Oyarzabal resolveu na área.
Já a Áustria confirmou as limitações ofensivas. Organizada a defender, mas demasiado curta quando precisa de jogar.


