Se o Real Madrid tem essa cultura de viver do presente e do futuro, sem olhar para o passado na hora de tomar decisões, então faz sentido levantar a questão: por que o Florentino Pérez continua? Porque, olhando para a lógica do próprio clube, a situação parece contraditória.
O Florentino é, sem dúvida, um dos maiores presidentes da história do futebol. O que ele construiu no Real Madrid é absurdo, mas isso é passado e o próprio clube sempre mostrou que passado não garante lugar a ninguém: jogadores saem quando deixam de render, ídolos são substituídos e ciclos acabam. Se aplicarmos exatamente esse critério ao presente, a crítica ganha força.
Duas temporadas sem títulos para o Real Madrid não é “só mais um momento menos bom”. Para um clube desse nível, é algo muito sério e quando olhas para a estrutura, é difícil não apontar para quem toma as decisões, e aí entra diretamente o Florentino.
Sobre o caso do Kylian Mbappé, a contratação em si nunca foi o problema. Era um movimento lógico. O erro está na construção à volta.
Vou vos explicar a analogia do Batman e Robin. No tempo do Cristiano Ronaldo, havia uma hierarquia clara. Podias ter várias estrelas, Benzema, Modrić, Casemiro, Toni Kroos, Gareth Bale, etc., mas todos sabiam quem era o centro. Hoje, tens Vinícius Júnior, Bellingham e o próprio Mbappé, todos com estatuto, todos com ambição de protagonismo, mas sem uma hierarquia clara. E pior: sem vontade de serem “segundos”.
Isso não é só um problema de balneário. É um problema de construção de plantel e isso vem de cima.
Depois, quando começas a ver nomes como José Mourinho a serem associados ao clube em 2026, a sensação é exatamente essa: decisões baseadas em nome e passado, não no que a pessoa entrega hoje e isso contradiz completamente a tal filosofia do Real Madrid.
Outro ponto importante: a perda de controlo do treinador. Seja com Xabi Alonso ou com Arbeloa, a ideia que passa é clara: os jogadores têm demasiado poder. Quando o balneário manda mais do que o treinador, o problema já não é só tático, é estrutural. E, mais uma vez, isso não nasce no treinador. Nasce na gestão.
Por fim, a questão do meio-campo: a saída de Toni Kroos deixou um vazio óbvio. Um jogador com aquele controlo, ritmo e inteligência não se substitui facilmente, mas também não se ignora. E a falta de resposta do clube a isso é mais um erro de planeamento.
Conclusão
O Real Madrid construiu a sua grandeza com base numa ideia clara: ninguém está acima do clube. Se essa regra for aplicada de forma coerente, então o Florentino Pérez também não devia ser exceção, porque, neste momento, os erros acumulam-se: na construção do plantel, na gestão de egos, nas escolhas técnicas, e todos apontam para o mesmo sítio.
Se o clube realmente vive do presente e do rendimento, então a discussão sobre a continuidade dele não só faz sentido como é inevitável.
