Nós todos sabemos que quando o Florentino Pérez é notícia, o mundo inteiro para, e vem sempre recheado de bombas.
Ontem, para além dos ataques ao seu adversário e candidato à presidência, Riquelme, Florentino soltou outra: quer fazer a transferência mais cara da história do Real Madrid, com valores a rondar os 150 milhões ou mais. E, ao mesmo tempo, foi inteligente a limitar o leque: não disse quem é, mas disse exatamente o que procura e quem não é.
Florentino disse que será um meio-campo ou atacante, que não joga na Premier League, que está num grande clube da Champions, que é jovem e que não é Kane, nem Doku, nem Olise, nem Haaland. Com isto em mente, há dois nomes óbvios: Vitinha e João Neves, ambos portugueses, o que só reforça o meio-campo absurdo que Portugal pode ter no Mundial.
Também se pode falar de Pedri, embora eu ache praticamente impossível, e talvez Pavlovic, do Bayern.
Florentino disse ainda que é uma contratação do nível de Cristiano e Kaká. Ou seja, estamos a falar do topo do topo, jogadores que eram os melhores do mundo nas suas posições. Por isso, acaba mesmo por ficar entre Vitinha e João Neves.
Mas há aqui um problema: eu não vejo nenhum dos dois a sair deste ambiente do PSG. Estão numa equipa que ganha quase tudo, com duas Champions seguidas. Trocar isso por um Real Madrid que vive um certo caos, mesmo sendo o Real Madrid, não é assim tão óbvio.
Do lado dos jogadores, faz sentido a pergunta: porquê sair? Eles próprios já falaram em querer a terceira Champions seguida. Há ambição, há fome, não falta nada nesse sentido. Do lado do Real Madrid, na minha visão, faz mais sentido um jogador como o Vitinha, alguém com pausa, controlo, ritmo, que organize o jogo, do que um João Neves. Não é desvalorizar ninguém, é olhar para os problemas da equipa e perceber que o Vitinha encaixa melhor no que falta.
A ideia do Florentino é boa. Mostra que ainda sabe perfeitamente o que está a fazer. E aqui está também a diferença para o Riquelme: sondar nomes de forma inteligente. Esse foi exatamente o erro do adversário. Mesmo assim, eu não acredito que vá ter sucesso.
Conclusão
Vitinha e João Neves são topo mundial, mas não sei até que ponto estariam dispostos a sair de um PSG histórico, com um ambiente fortíssimo, para um Real Madrid cheio de estrelas, o que já é um problema, e que não ganha troféus realmente relevantes há duas temporadas seguidas.

