· 2 min de leituraNeste Inglaterra vs Espanha analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O grande jogo da noite estava em Wembley. Inglaterra, terceira classificada no Mundial, contra a Espanha, campeã do mundo, no primeiro jogo de ambas após a competição. Era também um duelo entre duas das seleções mais fortes do mundo, com a Inglaterra a jogar em casa, mas com a Espanha a partir ligeiramente à frente pelo futebol que apresentou no Mundial.
E a Espanha precisou de apenas dois minutos para aproveitar um erro inglês. Guéhi recebeu a bola, conduziu e voltou para trás sem perceber que Lamine Yamal estava atrás dele. O espanhol recuperou, avançou e colocou a bola no canto, batendo primeiro no poste mais afastado antes de entrar. 0-1. Um erro enorme de Guéhi e a Espanha castigava imediatamente.
A Inglaterra continuava a cometer erros na construção e, aos 8 minutos, Ferran Torres ainda marcou, mas estava claramente fora de jogo. Pouco depois, o próprio Ferran voltou a aparecer com muito espaço num contra-ataque, mas Trafford fez uma bela defesa.
Aos 18, outra vez Ferran recebeu de Rodri nas costas da defesa, ganhou em velocidade e ficou apenas com o guarda-redes pela frente, mas rematou ao poste mais afastado e a bola saiu. Já devia ter marcado.
A Espanha tinha mais perigo, mesmo com a posse relativamente equilibrada. A Inglaterra só conseguiu o primeiro remate aos 29 minutos, através de Saka, e foi muito longe da baliza. Yamal, pelo contrário, parecia estar num daqueles dias em que cada vez que toca na bola alguma coisa pode acontecer.
Mas foi a Inglaterra que encontrou o empate. Aos 36 minutos, Nico Williams perdeu a bola perto da área inglesa e permitiu um contra-ataque rápido. Gordon tabelou de calcanhar com Bellingham, recebeu de volta em velocidade e rematou para o fundo da rede. 1-1. Um erro de Nico Williams, que tentou ganhar no drible quando praticamente todos os seus companheiros estavam à frente da bola, e a Inglaterra aproveitou.
Quatro minutos depois, a Inglaterra virou. Saka recuperou uma bola e encontrou Kane, que viu Gordon a passar pela esquerda, mas decidiu não soltar. Puxou para a direita e a jogada continuou até ao movimento de Nico O’Reilly pelo corredor interior. O lateral chegou primeiro que Laporte e cruzou para Kane, que também se antecipou ao defesa e cabeceou. Cucurella ainda tentou tirar a bola com a coxa, mas já era tarde. 2-1. A Inglaterra, quando encontra espaço para correr, é muito difícil de parar.
A Espanha tinha criado muito mais perigo na primeira parte, mas ia para o intervalo a perder. Tinha 1.84 xG contra apenas 0.44 da Inglaterra e três grandes oportunidades contra uma. O resultado não contava toda a história do jogo.
A Inglaterra entrou bem na segunda parte e, aos 48 minutos, Quansah apareceu completamente livre num cruzamento, mas cabeceou demasiado para cima. Depois veio uma situação polémica. A Inglaterra pediu pénalti em dois lances quase seguidos e o VAR acabou por rever uma possível falta de Rodri sobre Bellingham. O árbitro marcou.
Kane foi para a marca dos onze metros aos 54 minutos, mas falhou. Escorregou com o pé de apoio e acertou no travessão. Além disso, houve uma infração no próprio remate porque Kane deu dois toques na bola. Mesmo que tivesse marcado, o lance seria invalidado ou repetido. Foi uma oportunidade desperdiçada de qualquer maneira.
A Espanha respondeu imediatamente. Aos 59 minutos, Yamal e Baena combinaram e Yamal teve uma oportunidade enorme, mas rematou mal e nem acertou na baliza. No minuto seguinte, Baena não perdoou. Após uma boa pressão de Yamal, O’Reilly cometeu um erro defensivo e a bola sobrou para Baena fora da área. O espanhol puxou para a direita e rematou para o ângulo. Impossível de defender. 2-2. Baena tinha entrado apenas cinco minutos antes e já estava a marcar.
A partir daí, a Espanha começou a recuperar aquilo que mais gosta: controlo através da bola. A entrada de Pedri trouxe uma tranquilidade absurda à circulação espanhola e, aos 74 minutos, surgiu a reviravolta.
Era o jogo posicional da Espanha no seu estado puro. Laporte encontrou Baena entre o lateral e o central, e o médio colocou a bola na desmarcação de Oyarzabal. Trafford saiu da baliza, mas Oyarzabal fez uma cavada perfeita por cima do guarda-redes e marcou. 2-3. Oyarzabal, tal como Baena, tinha começado no banco e também entrou aos 55 minutos. Duas substituições e dois golos para virar o jogo.
Wembley começou então a ouvir os “olés” dos adeptos espanhóis. Guéhi fazia um péssimo jogo e Saka voltava a passar pelo jogo sem deixar grande marca, algo que infelizmente se tornou demasiado comum para o inglês.
Tuchel ainda retirou Kane aos 83 minutos para colocar Calvert-Lewin, uma decisão difícil de entender tendo em conta que a Inglaterra precisava de marcar. Nos minutos finais, a Inglaterra procurou o empate, mas o problema é que já não criava perigo evidente há mais de meia hora.
Pós-jogo
A Espanha virou um jogo que chegou a estar 2-1 para a Inglaterra e confirmou, mais uma vez, a enorme capacidade que tem para controlar os momentos através da bola. Para a Inglaterra, fica uma derrota num jogo em que foi eficaz durante algum tempo, mas em que acabou por sofrer com a maior qualidade e consistência ofensiva da Espanha.


