· 2 min de leituraNeste Liverpool vs Man City analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Anfield estava preparado para um grande jogo, mas havia duas equipas com coisas a provar. O Liverpool ainda não tinha perdido nesta temporada, embora as exibições estivessem longe do ideal, enquanto o Manchester City chegava com cinco vitórias em cinco jornadas. Do lado dos reds, as ausências de Isak e Szoboszlai obrigavam a mexer no onze, com Koumas, de apenas 21 anos, a receber a primeira titularidade na Premier League. E logo contra o City. Não era propriamente uma estreia fácil.
O ambiente em Anfield estava incrível, com os adeptos a pressionarem a cada posse do City. E, durante boa parte da primeira metade, o Liverpool conseguiu impedir que os visitantes se instalassem no seu jogo habitual. Havia intensidade, duelos e até algumas picardias, mas faltava aquilo que realmente interessa: perigo. Aos 33 minutos, o City ainda nem sequer tinha rematado, enquanto o Liverpool, apesar de estar por cima, também não conseguia criar oportunidades claras.
Wirtz voltou a deixar dúvidas. Os passes não estavam a sair bem e o alemão parecia longe da influência que se espera dele. Também Koumas sentiu as dificuldades de uma estreia destas, enquanto Víctor Muñoz trouxe velocidade e vontade pela direita.
Do outro lado, Van Dijk teve de sair várias vezes da posição para controlar Cherki. Ao intervalo, o Liverpool tinha cinco remates contra três, mas os golos esperados resumiam bem a falta de qualidade ofensiva: 0,36 contra 0,07. Uma primeira parte muito pobre, sem uma única grande oportunidade.
O Liverpool entrou melhor na segunda metade. Koumas rematou com força, Gravenberch e Mac Allister também tentaram, e o City parecia finalmente em dificuldades. Aos 54 minutos, Koumas voltou a falhar uma bola cruzada por Araújo numa boa posição. É preciso reconhecer a vontade do jovem, mas também perceber que ainda está cru para este nível. É natural, mas o Liverpool precisava de mais eficácia.
A partida mudou aos 62 minutos. Gravenberch, que estava a fazer um bom jogo, viu o segundo amarelo por travar Doku num contra-ataque. O toque pareceu ligeiro, mas, tendo já um amarelo, tinha de ter mais cuidado. Com menos um, o Liverpool ficou exposto, e o City não perdoou.
Aos 65 minutos, Doku puxou para dentro e, depois de a bola ficar solta na área, Haaland antecipou-se a Van Dijk e rematou com uma força absurda. É isto que faz do norueguês um avançado tão assustador: não precisa de muitas oportunidades para decidir.
Três minutos depois, Doku voltou a aparecer pela esquerda, cortou para dentro e colocou a bola no ângulo mais distante. Entrou e mudou o jogo. Simples assim. O Liverpool perdeu o controlo, os adeptos começaram a ouvir os “olé” do City e, aos 78 minutos, Cherki fechou a noite com um golaço. Deixou a bola passar para Gvardiol, recebeu de volta, enganou Frimpong com uma finta e rematou para o fundo da baliza. Um lance de enorme qualidade.
O Liverpool ainda tentou entrar no jogo, mas a expulsão deitou tudo a perder. O City aproveitou o espaço, foi implacável e saiu de Anfield com uma vitória por 3-0.
Pós-jogo
Para o Liverpool, fica a preocupação com a falta de criatividade e a incapacidade de reagir quando o jogo mudou, o que é natural. Para o City, uma demonstração de eficácia e talento que explica porque continua a ser tão difícil de travar.


