· 2 min de leituraNeste Newcastle vs Liverpool analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
A primeira jornada colocava frente a frente duas equipas que entram numa nova era. Matthias Jaissle, depois de uma passagem pelo Al Ahli, estreia-se na Premier League pelo Newcastle, enquanto Andoni Iraola assume um Liverpool que procura recuperar depois de uma última temporada abaixo do esperado. E havia uma dúvida enorme desde o início: até onde pode funcionar a linha defensiva tão alta do Liverpool?
A resposta apareceu rapidamente. Aos 5’, o Newcastle saiu em contra-ataque e encontrou um enorme buraco no meio-campo do Liverpool. Osula recebeu, ganhou metros e colocou Elanga na velocidade. A partir daí, ninguém conseguiu acompanhá-lo. O extremo correu, rematou rasteiro e fez o 1-0. Não foi apenas um problema da linha defensiva, mas sobretudo do posicionamento do Liverpool.
O Newcastle defendia num 4-4-2, bastante compacto, com Osula e Wissa na frente, e procurava precisamente aquilo que os seus avançados mais gostam: espaço para correr. O Liverpool tinha mais bola, chegou aos 66% de posse, mas não conseguia transformar esse domínio em perigo constante.
E havia outra situação interessante: Rio Ngumoha, com apenas 17 anos, jogava na direita devido à saída de Salah. Só que não parecia confortável. É extremo esquerdo, gosta de receber, ir para cima do adversário e puxar para dentro, mas na direita precisava de fazer coisas para as quais o pé esquerdo não lhe dá a mesma confiança. Não me parece uma solução para substituir Salah, pelo menos não desta forma.
O Liverpool chegou ao intervalo a perder e sem ninguém a destacar-se verdadeiramente. Defensivamente também deixava dúvidas, enquanto o Newcastle, apesar de organizado, podia ter feito mais ofensivamente.
Na segunda parte, finalmente apareceu o Liverpool. Aos 54’, Gakpo recebeu no corredor central com espaço, preparou o remate e bateu rasteiro, de fora da área, para o canto. 1-1.
Mas o empate durou apenas três minutos. Wissa recuperou a bola no meio de vários jogadores do Liverpool, conseguiu conduzir sem a perder e abriu na esquerda para Willock. O médio, que tinha entrado literalmente um minuto antes, passou entre dois adversários e rematou para o 2-1. Um grande golo e um momento importantíssimo, porque o Liverpool estava finalmente a crescer.
O Liverpool continuou com mais posse, mas faltava criatividade. O Newcastle não se sentia sufocado e isso era um problema: aos 86’, Wissa ainda teve uma oportunidade para matar o jogo, mas Alisson defendeu.
E quando parecia que o Liverpool já não teria tempo, apareceu a última oportunidade. Aos 90+6’, Victor Muñoz sofreu uma falta evidente dentro da área. Szoboszlai assumiu a responsabilidade e, aos 90+9’, converteu o pênalti. Empate na última bola.
Pós-jogo
O Newcastle mostrou organização e velocidade, mas podia ter sido mais ambicioso. O Liverpool teve a bola, mas esteve demasiado tempo sem ideias e continua com dúvidas defensivas. No fim, 2-2, exatamente o empate que tinha previsto, embora a forma como chegou tenha sido tudo menos previsível.


