Neste Real Madrid vs Alavés analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Real Madrid entrou em campo com a obrigação de ganhar, mas também com aquele peso invisível de quem já não depende só de si. Nove pontos de distância não se apagam com boas intenções e a equipa continua a dar sinais de que ainda não encontrou equilíbrio quando junta Mbappé e Vini Jr. Ainda assim, contra um Alavés frágil, era mais sobre cumprir do que convencer.
O jogo começou aberto por segundos, literalmente. Um erro logo no início ofereceu ao Alavés uma oportunidade clara, mas a decisão saiu ao lado do lance. Foi praticamente o último momento ofensivo relevante deles durante muito tempo. A partir daí, o Real tomou conta: mais bola, mais presença, mas pouca profundidade real.
Havia um problema evidente: o Real circulava bem, mas não tinha ninguém a ocupar a área com consistência. Mbappé e Vini vinham buscar jogo, combinavam fora, mas quando a bola entrava na zona de decisão encontrava o vazio. Isso ficou exposto num lance em que Mbappé faz tudo bem até ao último passe e não tem quem finalize. É um padrão, não um acaso.
O golo acaba por surgir sem grande estética ao minuto 30. Güler solta Mbappé à entrada da área, ele remata em esforço, a bola desvia num defesa e engana completamente Sivera. Um daqueles lances que desbloqueiam mais pelo acaso do que pela construção, mas que premiam quem está por cima.
O Real continuou dominante, mas sem aquela sensação de controlo absoluto. Criava, mas não finalizava com clareza e isso manteve o jogo vivo mais do que devia. Já perto do intervalo, entre uma bola ao travessão e um momento estranho com Militão lesionado, o Alavés quase empatava num lance caótico. Foi o primeiro sinal de que o jogo não estava fechado.
Aos 50 minutos, contra-ataque rápido, Vini Jr recebe na esquerda ainda longe da baliza, puxa para dentro e dispara colocado para o canto. Um golo limpo, direto, sem complicações. Aquilo que o jogo pedia.
Com o 2-0 o Real entrou num modo de gestão que roça o relaxamento. Continuava melhor, mas já sem a mesma urgência e isso deu vida ao Alavés. Houve uma boa oportunidade para matar o jogo num remate dentro da área que foi salvo em cima da linha. O Alavés começou a acreditar, ainda que sem grande qualidade coletiva, mas com insistência.
Os minutos finais foram disso: mais coração do que cabeça por parte do Alavés e alguma passividade do Real. Bolas na área, remates de fora, uma ao poste: o golo andava no ar e acabou por chegar nos acréscimos. Remate de fora e desvio de calcanhar de Toni Martínez, suficiente para trair Lunin. Um toque técnico num lance simples, mas que resume bem a insistência final da equipa visitante.
O Real ganha, mas não descansa ninguém. Faz o suficiente, mas nunca parece totalmente seguro.
Pós-jogo
Mais três pontos, menos certezas. O Real Madrid continua dependente de momentos individuais e pouco convincente como coletivo ofensivo. Falta presença na área, falta consistência emocional nos minutos finais.
O Alavés perde, mas sai com sinais de vida. A reta final mostrou uma equipa que, com mais crença, pode perfeitamente lutar pela permanência até ao fim. Resultado justo, mas com uma história que podia ter sido outra.

