Neste Real Madrid vs Girona analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
No Bernabéu, o Real Madrid voltou a deixar uma sensação estranha. Não foi falta de bola, não foi falta de talento, foi falta de urgência. E isso, mesmo contra um Girona, mais limitado, paga-se.
A primeira parte mostrou logo esse tom. O Real Madrid teve mais posse, mais presença, mais remates, mas tudo muito morno. Havia qualidade nas ações, sim, como aquele passe absurdo de Camavinga a lançar Mbappé, mas faltava consistência. Faltava continuidade nas jogadas.
E depois há momentos que dizem muito. Um deles foi o falhanço de Vinícius Júnior praticamente em cima da baliza. Mesmo que o lance fosse anulado depois, aquilo mostra desconcentração. Não é normal para este nível.
O Girona, por sua vez, fez o que se esperava. Bloco baixo, linhas juntas e a tentar sair quando possível. Não criou muito, mas também nunca se desorganizou completamente. E isso manteve o jogo equilibrado, mesmo com menos qualidade individual.
A segunda parte começa com o Real a tentar subir o ritmo e acaba por marcar num lance completamente inesperado. Aos 51’, Valverde recebe fora da área e remata. O remate nem sai particularmente bem, mas Gazzaniga falha completamente a intervenção. A bola passa pelo lado, escapa, entra. Um erro claro, daqueles que não podem acontecer. 1-0.
Aqui parecia que o jogo ia finalmente abrir, mas não. Porque o Real Madrid, em vez de aproveitar o momento, voltou a cair no mesmo ritmo. Decisões erradas no último terço, pouca agressividade, pouca fome de matar o jogo. Isso abre espaço para o adversário.
Aos 62’, o castigo chega. Thomas Lemar recebe fora da área, conduz sem grande pressão e remata com força. A bola entra com potência, sem hipótese. Um golo que nasce de liberdade a mais à entrada da área. 1-1.
A partir daí, o jogo entra numa fase curiosa. O Real Madrid tem bola, empurra, tenta, mas sem aquela intensidade de quem precisa mesmo de ganhar. E isso é estranho. Só nos minutos finais é que essa urgência aparece.
Há um lance que vai dar conversa. Já perto do fim, Mbappé leva uma cotovelada na cara dentro da área. O árbitro manda seguir, o VAR confirma. Mas aqui vai opinião direta: é daqueles lances que, se for marcado, ninguém fica chocado. Há contacto claro e impede a progressão. No mínimo, muito discutível.
Até ao fim, o Real insiste, mas mais com vontade do que com clareza. O Girona fecha-se ainda mais, protege o resultado e leva um ponto que, pelo contexto, sabe quase a vitória.
E no final, fica uma ideia difícil de ignorar: este Real Madrid parece, em certos momentos, desligado. E ao mais alto nível, isso não passa impune.
Pós-jogo
Empate com sabor amargo para o Real Madrid, que voltou a mostrar falta de intensidade em momentos-chave. O Girona aproveitou bem o contexto e sai com um resultado muito positivo.

