· 2 min de leituraNeste Uruguai vs Espanha analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era um jogo que, olhando para o grupo, podia mexer com tudo, mas dentro de campo demorou a ganhar esse peso. A Espanha entrou como se costuma esperar: muita bola, circulação paciente, mas sem grande profundidade. Já o Uruguai, curioso, apareceu mais ligado ao jogo. Mais agressivo, mais físico, mais disposto a competir cada lance.
E isso notou-se cedo. A Espanha tinha posse, mas não assustava. Faltava velocidade, faltava alguém a romper. Do outro lado, o Uruguai não tinha tanto controlo, mas era mais incómodo. Pressionava, corria, obrigava a erros. E durante largos minutos, foi mesmo a equipa mais próxima de criar perigo, mesmo sem finalizar bem.
Darwin Núñez teve um desses momentos, com espaço depois de recuperação alta, mas decidiu mal. E isso resume muito do jogo uruguaio: chegam a zonas interessantes, mas a última decisão falha quase sempre.
A Espanha, por outro lado, parecia confortável demais. Muito toque, pouca intenção. E quando chegava perto da área, faltava clareza. Houve até sinais de intranquilidade atrás, com Unai Simón a não segurar bolas aparentemente simples.
O jogo caminhava para um empate ao intervalo que não chocaria ninguém, até que aparece o momento que muda tudo. Aos 42’, jogada pela direita, Llorente insiste e consegue cruzar já perto da linha. A bola vai tensa, difícil, e encontra Álex Baena quase de costas para a baliza. Ele tenta o gesto, mais de reação do que de construção, e o remate sai estranho. Só que Muslera transforma um lance banal num problema enorme. Um erro enorme de um guarda-redes que faz hora extra na seleção. 0-1.
E o impacto foi imediato. Não só no resultado, mas na sensação do jogo. O Uruguai, que até estava mais ligado, sai castigado por um erro individual pesado. Muslera substituído no intervalo.
Na segunda parte, há uma mudança interessante: o Uruguai não desiste do plano. Continua intenso, continua físico, continua a tentar empurrar a Espanha para trás. Só que falta sempre qualquer coisa. Falta qualidade no último passe, falta definição no remate.
A Espanha também não melhora muito. Continua com bola, mas sem acelerar verdadeiramente. Há um lance em que Lamine Yamal solta para Dani Olmo dentro da área, com espaço, e o remate sai completamente ao lado. Era o tipo de jogada que podia matar o jogo, mas nem isso conseguem aproveitar.
E isso mantém o jogo vivo até ao fim. O Uruguai vai acreditando mais com o passar dos minutos, mais na base da vontade do que da organização. De La Cruz ainda tenta de fora da área e obriga Unai Simón a intervir, num dos poucos momentos de verdadeiro perigo.
Do outro lado, a Espanha parece satisfeita. Não força, não arrisca, controla. Ferran Torres ainda acerta no travessão já perto do fim, num lance individual bem trabalhado, mas até isso surge mais por acaso do que por domínio. Canobbio ainda consegue ser expulso no final do jogo e foi justo, ele estava completamente descontrolado.
Uruguai está eliminado do Mundial!
Pós-jogo
Vitória que vale mais pelos três pontos do que pela exibição da Espanha. Muito pouca intensidade, pouca criatividade e uma sensação constante de que podia fazer mais.
Já o Uruguai sai com a mesma imagem do torneio: competitivo, intenso, mas com uma falta clara de qualidade nos momentos decisivos.


