· 2 min de leituraNeste Vasco da Gama vs Santos analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O futebol brasileiro tem muitos jogos importantes ao longo da temporada, mas poucos carregam o peso deste Vasco da Gama contra o Santos. Quem olhava para a classificação via duas equipas gigantes a lutar para fugir da zona de rebaixamento. O Santos entrava em 17.º, o Vasco em 18.º, ambos com 22 pontos. O empate era mau para os dois.
O Vasco entrou melhor. Durante os primeiros minutos, praticamente só existiu uma equipa com bola. Aos 8 minutos, a posse de bola já estava nos 87% para os donos da casa, um número absurdo, mesmo tendo em conta o pouco tempo jogado. A sensação era clara: o Vasco queria assumir o controlo.
Aos 13 minutos, Andrés Gómez apareceu numa posição central e rematou por cima. Pouco depois, chegou a primeira oportunidade realmente clara do jogo, mas do lado contrário. Gabigol apareceu isolado após um passe de cabeça e ficou apenas com Leonardo Jardim pela frente. O remate saiu muito ao lado. Era um golo quase obrigatório e um falhanço enorme.
A lesão de Jair também não ajudou o Vasco. A equipa continuou a ter mais bola, chegou aos 80% de posse em determinados momentos e continuou a empurrar o Santos para trás, mas criar perigo era algo difernete. O Santos aceitava esse cenário de forma quase intencional.
Não sei se gostei dessa abordagem. Neymar e Gabigol pressionavam o mínimo e a ideia parecia ser deixar o Vasco jogar. Se o plano funcionasse, seria mérito do Santos. Se falhasse, seria um problema sério. Durante muito tempo, pareceu mais uma consequência da falta de qualidade ofensiva do Vasco do que propriamente uma estratégia brilhante.
Todos os ataques do Santos passavam por Neymar. Já não é aquele jogador imparável no drible e no um contra um, mas a visão de jogo continua lá. A capacidade para encontrar espaços e criar jogadas continua a ser diferente.
Píton foi um dos jogadores mais perigosos do Vasco e obrigou Brazão a uma boa defesa. Aos 44 minutos, um canto cobrado por Neymar terminou num cabeceamento improvável de Caballero ao travessão. Se aquela bola entrasse, estaríamos a falar de um dos golos da jornada.
A segunda parte começou equilibrada e com muitos erros técnicos. Aos 47 minutos, o Vasco teve uma oportunidade gigantesca. Depois da defesa de Brazão, Tchê Tchê recebeu numa posição privilegiada, conduziu e rematou muito por cima. Tinha de acertar na baliza.
Aos 68 minutos, Pumita acertou no poste e parecia que o golo do Vasco estava próximo. Segundos depois, aconteceu exatamente o contrário. Rollheiser ganhou a bola pelo ar, encontrou Gabigol na desmarcação e o avançado não desperdiçou duas vezes. Remate colocado e 0-1.
Aos 77 minutos, Neymar cobrou um livre lateral e Leo Jardim afastou a bola da pior forma possível, acertando involuntariamente em Willian Arão. Um golo completamente fortuito, mas que praticamente decidiu o jogo. 0-2.
Aos 81 minutos, Neymar voltou a aparecer. O remate obrigou Leo Jardim a defender, mas a bola ficou à frente da baliza e Luan Peres aproveitou para fazer o 0-3. O Santos estava a viver um sonho.
Os adeptos do Vasco começaram a cantar “time sem vergonha” e os assobios dirigidos a Leo Jardim, já perto do fim, resumiram perfeitamente a noite.
Pós-jogo
A primeira vitória do Santos fora de casa chegou precisamente no primeiro jogo de Neymar como visitante no Brasileirão. Coincidência ou não, a equipa apresentou algo diferente. O jogo do Neymar não foi brilhante, mas a sua presença alterou completamente a forma como o Santos atacou.


