Neste Villarreal vs Atletico analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Há jogos que parecem equilibrados até deixarem de ser, e este foi o exemplo perfeito disso. Durante algum tempo, houve um certo controlo emocional, um jogo dividido, até interessante. Mas quando o Villarreal encontrou espaço, o jogo simplesmente partiu. E quando partiu, o Atlético não teve resposta.
O início até foi relativamente solto, com transições dos dois lados, Pépé a tentar desequilibrar, o Atlético a responder com alguma circulação. Nada muito claro, mas com ritmo. Com o passar dos minutos, o Villarreal foi ganhando mais controlo com bola, mais presença no meio-campo ofensivo, enquanto o Atlético parecia confortável… até não estar.
Aos 30’, o primeiro momento-chave. Bola nas costas para Pépé, Musso sai tarde, descoordenado, e acaba por derrubar o jogador. É daqueles lances em que não há discussão. Parejo assume, com a calma de quem já viu tudo no futebol, e marca. Não é só um golo, é um momento simbólico no último jogo dele pelo clube. 1-0.
E a partir daí, o jogo descarrila completamente para o Atlético.
Aos 34’, erro defensivo claro. defesa falha, perdem o tempo da bola, Llorente leva um drible que o tira do lance, o cruzamento sai, a defesa alivia mal e Ayoze aparece solto para finalizar. É um golo que nasce do caos, mas sobretudo da desorganização. 2-0.
Aos 40’, mais um ataque direto. Ayoze segura, espera o momento certo e solta para Mikautadze dentro da área. E o que ele faz é puro talento: simula o remate, tira o defesa da frente e finaliza com força. Tudo simples, tudo limpo. 3-0. E aqui já não é só eficácia, é superioridade.
O Atlético ainda reage, aos 43’, com Pubill a aparecer ao segundo poste após cruzamento fechado. Reduz para 3-1 e, por segundos, parece que pode haver jogo outra vez. Mas não.
Aos 45’, mais um erro. Giuliano falha de cabeça, Pépé recupera, levanta e encontra Gueye à entrada da área. E Gueye não perdoa. Remate colocado, com classe, daqueles que matam qualquer reação. 4-1.
Uma primeira parte completamente louca e completamente decidida.
Na segunda parte, o Atlético até tenta reorganizar-se, mexe na equipa, tem mais bola, mas isso já não interessa muito, porque cada vez que o Villarreal sai, sai com perigo. Aos 54’, mais um contra-ataque. Pépé conduz pela direita, atrai e solta para Ayoze. Lenglet não acompanha, ninguém fecha, e Ayoze finaliza com facilidade. É demasiado espaço, demasiado erro para este nível. 5-1.
E a partir daí, o jogo entra em modo gestão. O Villarreal baixa o ritmo, controla, enquanto o Atlético tem bola, mas sem alma, sem intensidade, sem capacidade real de ferir.
O momento mais forte até nem foi um lance de jogo. Foi a saída de Parejo. Aplausos, emoção, lágrimas. Um daqueles momentos que lembram que o futebol também é isto.
E o resumo é simples: o Villarreal aproveitou tudo. O Atlético ofereceu demasiado.
Pós-jogo
Vitória esmagadora do Villarreal, construída não só pela qualidade ofensiva, mas sobretudo pela capacidade de aproveitar cada erro do Atlético.
Parejo despede-se com golo, num momento simbólico que marcou o jogo emocionalmente.


