Neste West Ham vs Arsenal analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Há jogos que não são brilhantes, mas são decisivos. E este foi exatamente isso para o Arsenal. Entrada forte, como se esperava. O Arsenal assume logo o controlo, empurra o West Ham para trás e instala-se no meio-campo ofensivo. Linha de cinco e, mesmo assim, o Arsenal encontra espaços.
Logo no início, Trossard mostra a qualidade. Passe perfeito a rasgar, Calafiori aparece solto e remata, mas a bola bate na defesa. Na sequência, canto e quase o golo. Trossard, ao segundo poste, cabeceia sem saltar, é defendido, ressalta e ele ainda tenta de novo, mas entre o poste e a defesa, o golo não aparece. É um início sufocante.
O West Ham praticamente não sai. Quando tenta, é sempre em contra-ataque, sempre dependente de um erro ou de um momento individual. E curiosamente, esse momento aparece. Diouf ataca o espaço interior, fica perto de criar perigo real. Depois Summerville, com espaço, conduz, remata e deixa aviso. Mas até aí, o jogo é claramente do Arsenal.
Só que há um momento que muda a dinâmica. A lesão de Ben White obriga a mexidas. Rice recua para lateral-direito, entra Zubimendi e o Arsenal perde algo essencial: controlo no meio. A partir daí, o jogo equilibra.
O Arsenal continua com mais bola, mas cria menos. Falta ligação, falta fluidez, e o West Ham cresce. Não em domínio, mas em crença. Começa a chegar mais vezes, a sentir que pode fazer algo.
Já na segunda parte, o Arsenal tenta corrigir. Ajusta posições, devolve Rice ao meio, procura recuperar controlo. E consegue, até certo ponto. Tem bola, circula, mas continua a faltar aquele momento decisivo.
E o tempo passa e a pressão aumenta. Porque o resultado não chega, e cada minuto que passa dá mais vida ao West Ham. Aos 77’, o jogo quase muda completamente. Mateus Fernandes aparece dentro da área, muito perto da baliza, remata e Raya faz uma defesa enorme. Reflexo puro. Defesa de guarda-redes de equipa grande em momento grande.
E às vezes, é isto que define tudo, porque poucos minutos depois, o Arsenal encontra o golo.
Aos 82’, jogada trabalhada, paciência, circulação. Ødegaard recebe dentro da área, espera, atrai e no momento certo solta para Trossard. Remate rápido, com leve desvio em Souček, mas sem tirar a direção. A bola entra. 0-1. Explosão de alívio. Não é um golo de génio, é um golo de insistência. De equipa que não desiste.
O West Ham sente o golpe. Ainda tenta, ainda luta, mas já mais com coração do que com cabeça. E depois vem o momento final, polémico. Aos 90+5’, confusão total na área, bola sobra para Callum Wilson que remata forte para o fundo da rede. O estádio explode, mas o VAR chama. Revisão longa, tensa e o golo é anulado.
Decisão discutível. Num lance caótico, destes que acontecem sempre e desta vez decidiu-se anular. Não concordo
Até ao fim o Arsenal segura. Sofre, mas segura.
Pós-jogo
Vitória de campeão? Talvez. Não foi bonito, mas foi maduro. E nestas fases é isso que conta.


