Neste Al Nassr vs Al Hilal analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Chegámos ao grande momento da temporada na Arábia Saudita, daqueles jogos que se vendem sozinhos. Não é só um clássico, é um duelo que decide um campeonato. Al Nassr e Al Hilal entraram em campo com tudo em jogo, mas com pesos diferentes: o empate servia ao Nassr, enquanto o Hilal jogava praticamente a vida no título. E isso sentiu-se desde o primeiro minuto, num ambiente elétrico, intenso, quase sufocante.
Logo aos 4 minutos, o primeiro aviso sério. Jogada rápida pela esquerda, bola a atravessar a área e Benzema aparece solto para encostar, mas Bento faz uma defesa absurda. Um lance que expõe logo uma fragilidade defensiva do Nassr, mal posicionado, a dar espaço onde não pode. O Hilal entrou melhor, mais ligado, mais rápido a reagir, muito por culpa da forma como recuperava e ocupava espaços. Rúben Neves, a jogar mais recuado, era essencial na construção, aparecendo sem pressão e a ligar tudo.
O jogo, ainda assim, nunca foi fluido. Muito físico, muitas interrupções, muita luta. Aos 16 minutos, Mané cria uma boa jogada pela esquerda, entra na área e serve Félix, que remata contra um defesa. Era um dos poucos momentos em que o Nassr conseguia ligar jogo ofensivo com critério. Pouco depois, aos 18, o Hilal marca por Benzema, mas o lance é anulado por fora de jogo de Milinković-Savić.
Aos 37 minutos, num jogo fechado, aparece o detalhe que muda tudo. Canto batido, bola ganha no primeiro poste, sobra do outro lado após confusão e Simakan reage mais rápido que toda a gente, rematando para o fundo da baliza. Um golo sujo, de insistência, típico de quem está mais ligado ao momento. O Nassr, sem fazer muito, colocava-se em vantagem.
E curiosamente, depois do golo, cresceu. Aos 40 minutos, Cristiano Ronaldo tenta de fora da área e obriga Bono a uma grande defesa. O Hilal, que tinha mais bola, perdia impacto. E antes do intervalo, aos 45+2, Coman tem o empate nos pés após erro de Milinković-Savić, mas acerta no poste. Um falhanço inacreditável para este nível.
Na segunda parte, o cenário manteve-se claro: o Nassr confortável, o Hilal com pressa. Aos 50 minutos, Cristiano oferece um passe perfeito para Mané, daqueles que pedem golo, mas a jogada não dá em nada. O tempo passa e o jogo entra numa fase mais tática. O Nassr baixa linhas, fecha espaços e joga com o relógio. Brozovic, até sair aos 72, foi importante a equilibrar, mesmo já no limite físico.
O Hilal mexe, tenta tudo, empurra. Tem mais bola, mais presença, mas pouca clareza. Aos 62, Salem Al-Dawsari remata fácil para defesa de Bento, e isso resume bem a incapacidade ofensiva da equipa durante largos períodos. Faltava rasgo, faltava decisão.
E quando parecia tudo controlado, o futebol lembra-nos porque é tão cruel. Aos 90+8 minutos, já no desespero, bola na área, confusão e Bento, que tinha sido herói, acaba por desviar para dentro da própria baliza. Auto-golo. Empate. Silêncio no estádio.
Pós-jogo
O Nassr fez quase tudo bem para ganhar, mas faltou fechar o jogo. O Hilal nunca desistiu e foi premiado pela insistência, mesmo sem grande brilhantismo. No fim, Al Hilal adia a vitória do Al Nassr pelo título na Saudi Pro League, que será na próxima semana.


