· 2 min de leituraNeste Austrália vs Egito analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era um daqueles jogos em que já se sabia mais ou menos o que ia acontecer. Duas equipas com limitações claras, estilos previsíveis e pouca capacidade para elevar muito o nível. Ainda assim, sendo mata-mata, havia sempre aquela tensão de que um detalhe podia decidir tudo.
A Austrália entrou com a sua identidade habitual: jogo direto e tentativa de aproveitar o erro. Até teve um momento interessante logo cedo, com Volpato a girar fora da área e a acertar no travessão. Um aviso raro, mas que não mudou o plano.
O Egito, como esperado, foi assumindo mais posse de bola. Sem grande criatividade, mas com mais iniciativa. Tentava circular, empurrar a Austrália para trás, mesmo sem grande aceleração no jogo. Salah, claramente longe do melhor nível físico, pouco conseguia acrescentar.
O golo aparece aos 13’, e nasce de algo simples, mas mal defendido. Livre lateral, a bola fica viva na zona da área e Hafez levanta novamente para dentro. Ashour aparece completamente solto, quase escondido entre defesas, e cabeceia colocado. Um lance em que a Austrália falha claramente na marcação e paga por isso.
Depois disso, o jogo entra num ritmo baixo. O Egito continua com mais bola, mas sem criar perigo real. A Austrália praticamente abdica de jogar, esperando apenas uma bola longa ou um cruzamento. E quando tenta algo com bola no chão, percebe-se logo a limitação.
Ainda assim, há um momento curioso. A partir de certa altura da primeira parte, a Austrália até começa a ter mais posse, mais presença, mas sem qualquer consequência. Era circulação sem intenção, sem capacidade de ferir.
Na segunda parte, pouco muda no desenho do jogo, mas muda o resultado. Aos 55’, lance de bola parada, cruzamento para a área e Mohamed Hany acaba por tocar para dentro da própria baliza. Um lance confuso, típico deste tipo de jogos, onde ninguém domina totalmente a situação.
E com o empate, o jogo ainda ficou mais fechado. Nenhuma das equipas quis arriscar muito. O Egito tentou ter mais bola, mas sempre lento, previsível. A Austrália manteve-se fiel ao seu estilo, mais preocupada em não sofrer do que propriamente em ganhar.
Salah continuava apagado, Marmoush também sem impacto, e quem tentava mexer um pouco com o jogo era Haissem Hassan, trazendo alguma energia e vontade.
Mesmo assim, oportunidades claras foram raras. O momento mais sério surge já nos descontos, com Rabia a cabecear e Patrick Beach a fazer uma defesa impressionante, seguida de um corte salvador de Souttar num remate que levava selo de golo.
No prolongamento, o cenário mantém-se. Egito com mais bola, Austrália a defender. Mas tudo muito previsível, muito travado, sem rasgo.
E há até um momento curioso já no fim, com a Austrália a trocar de guarda-redes antes dos penáltis, apostando em Mathew Ryan como especialista.
Só que no fim, isso nem fez diferença. Nos penáltis, o Egito foi mais eficaz, mais tranquilo, e acabou por levar a melhor num jogo que, no fundo, nunca teve grande qualidade, mas teve o suficiente para manter a incerteza até ao fim.
Pós-jogo
Jogo fraco em termos de qualidade, mas típico de mata-mata equilibrado. O Egito confirmou algum favoritismo, mas sem convencer.
A Austrália fez o que sabe, competiu, mas mostrou muitas limitações com bola. No fim, decidiu-se nos detalhes, e aí o Egito foi mais competente.


