· 2 min de leituraNeste Bélgica vs Senegal analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
A Bélgica entrou sem intensidade, quase desligada, e o Senegal percebeu isso muito cedo. Mais agressivo, mais solto, mais confortável com o que o jogo estava a pedir.
E não foi só sensação. O Senegal criou perigo real primeiro, com Ismaïla Sarr a ter uma oportunidade claríssima, daquelas que normalmente dão golo. Falhou, mas deixou o aviso. A Bélgica, por outro lado, não conseguia ligar jogo, especialmente por dentro. Tudo muito lento, muito previsível.
O golo acaba por surgir aos 24’, e nasce exatamente dessa capacidade do Senegal em chegar com critério. Mané trabalha bem na esquerda, levanta a bola e Sarr aparece a cabecear com qualidade. A bola bate no poste e sobra para Diarra, que reage mais rápido que toda a gente e encosta. Um lance de insistência, mas também de presença na área, algo que a Bélgica simplesmente não tinha.
E o mais preocupante para os belgas nem era o resultado, era a forma. Equipa apática, sem reação, sem criatividade. Doku ainda tentava algo no um para um, De Cuyper arriscava de fora, mas era tudo muito pouco para o que o jogo pedia.
Na segunda parte, a Bélgica tenta mexer, lança Lukaku e muda um pouco a dinâmica. Passa a ter mais presença na área, mais referência para cruzamentos. Mas quem volta a marcar é o Senegal.
Aos 51’, lançamento longo de Niakhaté, daqueles que parecem inofensivos, mas não são. Sarr domina no peito, ganha no corpo ao defesa e remata com uma força impressionante. Um verdadeiro foguete, sem hipótese para Courtois. Um golo que mistura técnica, físico e decisão. 0-2
E aí, sinceramente, parecia resolvido. A Bélgica continuava sem ideias, ainda por cima com decisões estranhas do banco, como tirar Doku num momento em que precisava de desequilíbrio. O tempo ia passando e nada indicava reação.
Só que o futebol às vezes ignora completamente a lógica.
Aos 86’, bola na direita, cruzamento rasteiro e Lukaku aparece à frente do defesa. Finaliza por cima do guarda-redes e devolve a esperança. Um lance simples, mas com aquilo que faltava até então: presença e instinto.
E três minutos depois, o empate. Aos 89’, Trossard cruza e Tielemans, no meio de jogadores mais altos e até do guarda-redes, consegue ganhar no ar e cabecear para dentro. Um golo improvável, quase caído do nada, mas que muda tudo.
O prolongamento começa já com outra energia. A Bélgica renasce, parece mais fresca, mais confiante. O Senegal, pelo contrário, acusa o golpe e começa a quebrar fisicamente.
Ainda assim, houve momentos de perigo dos dois lados, incluindo um remate de Lukebakio ao travessão que parecia o golo da reviravolta.
Mas o momento decisivo chega mesmo no fim. Lance na área, confusão, e após revisão, é assinalado penálti. Aos 120+1’, Tielemans assume e não falha. Remate seguro, guarda-redes para um lado, bola para o outro. Uma reviravolta que parecia impossível, mas que aconteceu. 3-2.
Pós-jogo
Vitória inacreditável da Bélgica, mais pelo contexto do jogo do que pela exibição. Foi durante muito tempo uma equipa perdida, sem ideias, mas encontrou no desespero e na qualidade individual a forma de virar. Lukaku mudou completamente o jogo.
Já o Senegal fez quase tudo bem durante muito tempo, mas faltou gestão emocional e física nos momentos finais.


