Chéquia 0 – 2 Inglaterra | Análise

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Neste Chéquia vs Inglaterra analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.

Chéquia e Inglaterra chegavam ao segundo jogo da Nations League depois de derrotas na estreia, mas em contextos bastante diferentes. A Chéquia tinha perdido para a Croácia num jogo em que foi inferior e criou menos perigo, enquanto a Inglaterra tinha dado bastante trabalho à Espanha, chegando a tirá-la da sua zona de conforto, mas acabou derrotada por uma seleção de outro nível.

As ambições também eram diferentes. A Chéquia, agora treinada pelo espanhol Santi Denia, precisava de pontuar para não ficar presa ao último lugar e lutar pela permanência na Liga A. A Inglaterra, pelo contrário, tinha como objetivo as primeiras posições e a passagem ao Final Four. Era favorita, embora a Chéquia costume complicar estes jogos.

E complicou desde o início. A Inglaterra voltou a cometer erros defensivos completamente desnecessários, algo que já tinha acontecido contra a Espanha. Aos 5 minutos, Anderson ofereceu uma situação perigosa e, pouco depois, outra perda de bola inglesa voltou a deixar a Chéquia em boa posição. Aos 13 minutos, a Inglaterra tinha mais posse, mas era claramente a Chéquia que estava a jogar melhor.

Sentia-se também a ausência de Bellingham. A Inglaterra tinha bola, mas faltava alguém capaz de ligar o jogo e acelerar a partir do meio-campo. Ainda assim, criou a primeira grande oportunidade. Rogers recebeu de costas, rematou ao poste e a bola voltou para Anderson. O remate foi bloqueado, Saka tentou na recarga e também não conseguiu. Três tentativas na mesma jogada e nenhuma acabou na baliza.

A Chéquia continuava a ser perigosa e, aos 24 minutos, a partida mudou completamente. Pavel Šulc entrou de forma muito dura, com os pitons por cima da chuteira do adversário. O árbitro começou por mostrar amarelo, mas foi chamado pelo VAR. Para mim, era vermelho evidente. E foi mesmo: Šulc expulso, Chéquia com dez.

A partir daqui, o plano checo desapareceu. Não porque a equipa tivesse deixado de lutar, mas porque jogar praticamente todo o resto do jogo com menos um contra a Inglaterra tornava tudo muito mais difícil. A Inglaterra chegou aos 74% de posse e tinha 0.39 de xG aos 31 minutos, embora isso diga também muito sobre a dificuldade que estava a ter para transformar a superioridade em perigo.

E havia um problema evidente: Kane quase não tocava na bola. O avançado inglês, que gosta de baixar, participar e ligar o jogo, tinha menos toques do que qualquer jogador de campo inglês e até menos do que Trafford, o guarda-redes. A solução também não podia ser simplesmente cruzar. Os centrais checos tinham uma média de 1,90 metros. Cruzar constantemente para aquela área não era propriamente uma estratégia brilhante.

A Inglaterra chegou ao intervalo com 75% de posse, 363 passes e nove remates, mas apenas 0.55 de xG. Tinha superioridade total, mas não estava a aproveitar.

E bastou um minuto da segunda parte para finalmente marcar. Červ fez um péssimo passe, Trent aceitou o presente e cruzou imediatamente. Gordon fez o movimento perfeito entre central e lateral, apareceu no espaço e cabeceou muito bem. A bola bateu no poste mais afastado e entrou. 0-1.

A Chéquia percebeu que já não tinha nada a perder e tentou subir. Isso abriu espaços e, aos 51 minutos, Lewis Hall teve uma oportunidade enorme depois de um contra-ataque conduzido por Gordon. Estava sozinho, com espaço dentro da área, mas falhou miseravelmente. Tinha que ser golo.

A Inglaterra continuava a controlar a bola, mas precisava do segundo. A Chéquia ainda conseguiu criar alguns momentos e, aos 61 minutos, Krejčí quase marcou na própria baliza depois de tentar cortar um cruzamento de Hall. A bola bateu no poste.

O segundo acabou por chegar aos 69 minutos. Rogers tentou receber dentro da área, foi incomodado pelo defesa e a bola ficou solta, praticamente a pedir um remate. Kane chegou primeiro e finalizou rasteiro. 0-2 e finalmente alguma tranquilidade.

Pouco depois, entrou Bellingham, numa Inglaterra que já tinha o jogo controlado. A Chéquia baixava fisicamente e o esforço de jogar com dez durante tanto tempo começava naturalmente a pesar. Ainda assim, há mérito na forma como tentou. Correu, pressionou e continuou a procurar alguma coisa, mesmo quando as probabilidades estavam claramente contra si.

Eze, que entrou bem, ainda obrigou Kovár a uma grande defesa aos 82 minutos. Mas o jogo já estava decidido.

Pós-jogo

A Inglaterra não fez uma exibição extraordinária, longe disso, mas depois da expulsão teve finalmente a capacidade de controlar a partida e garantir os três pontos. A Chéquia resistiu enquanto pôde, mas jogar mais de uma hora com menos um contra uma equipa como a Inglaterra era uma tarefa quase impossível.

Estatísticas no final do jogo

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