· 2 min de leituraNeste Inglaterra vs Congo analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Jogo típico de mata-mata em que o favorito entra com responsabilidade, mas quem marca primeiro muda completamente o rumo. E foi exatamente isso que aconteceu. A Inglaterra até entrou com ideia de controlar, mas acabou surpreendida muito cedo por um RD Congo sem medo.
Aos 6’, bola longa de Mbemba a explorar o lado esquerdo da defesa inglesa, onde Cipenga aparece com espaço a mais. Spence acompanha o movimento interior de Sadiki e deixa aquele espaço aberto. Cipenga recebe, enquadra e remata forte ao poste mais próximo. Um lance em que Pickford podia claramente fazer mais, porque aquele é o lado dele. E de repente, o jogo vira completamente.
A partir daí, instala-se o cenário esperado: Inglaterra com bola, RD Congo fechado e confortável a defender. Mas há um detalhe importante, o Congo não se limitava a defender. Conseguia sair, respirar, ter momentos com bola, o que tornava tudo ainda mais complicado para a Inglaterra.
E a Inglaterra voltou a mostrar os mesmos problemas que já tinha mostrado no torneio. Muito cruzamento, pouca criatividade no centro, Kane muitas vezes perdido entre os centrais. Quem tentava mexer com o jogo era Bellingham, sempre a pedir bola, a aparecer entre linhas, a tentar ligar tudo.
Mesmo assim, as melhores oportunidades começaram a surgir. Bellingham de cabeça obriga Mpasi Nzau a uma grande defesa, Rashford tem um lance em que remata já na área mas acerta em Wan-Bissaka, quase em cima da linha, e Kane também vai aparecendo, mas sempre bem travado.
Do outro lado, o Congo continuava perigoso quando saía. Wissa ainda acerta no poste num desses momentos, mostrando que não era só resistência, havia ameaça real.
Na segunda parte, o jogo mantém o mesmo padrão, mas com uma Inglaterra ainda mais pressionante. Mais bola, mais presença ofensiva, mas sempre com dificuldades na definição. Mpasi Nzau ia adiando tudo com boas intervenções, e o tempo começava a pesar.
Aos 75’, jogada insistente, bola a circular na área, Gordon pela esquerda levanta a bola, Kane aparece nas costas do central, que defende mal o lance, e cabeceia. O guarda-redes ainda toca, mas não evita o golo. Um lance de insistência. 1-1
Com o empate, o jogo muda outra vez. O Congo começa a quebrar fisicamente, já não consegue sair, já não consegue respirar. E a Inglaterra sente isso.
Aos 86’, Kane volta a aparecer. Recebe de costas, começa a rodar sobre o defesa, conduz para a direita e, com pouco espaço, dispara um remate forte e colocado. Um grande golo, daqueles de avançado que resolve sozinho. 2-1
Até ao fim, o Congo ainda tentou empurrar, mais na base da vontade do que da organização, mas já sem capacidade para criar perigo real.
Pós-jogo
Vitória sofrida, mas esperada da Inglaterra. Voltou a ter dificuldades contra bloco baixo, voltou a depender muito de momentos individuais, mas Kane resolveu quando foi preciso.
Já o RD Congo fez um jogo muito interessante, surpreendeu cedo, competiu bem, mas não conseguiu aguentar até ao fim.


