Países Baixos 0 – 1 Argélia | Análise

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Neste Países Baixos vs Argélia analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.

Amigável com cara de coisa séria. Países Baixos e Argélia entraram neste jogo num contexto pré-Mundial, daqueles que servem mesmo para tirar conclusões, mais do que apenas rodar jogadores. E desde cedo ficou a sensação de que havia aqui um desequilíbrio claro, não tanto no nome, mas na forma como as equipas se apresentaram em campo. Os Países Baixos mais soltos, mais confiantes, mais capazes com bola. A Argélia mais presa, mais reativa, com dificuldades evidentes em ligar o jogo.

A primeira ameaça séria nasce num contra-ataque bem conduzido por Summerville, que solta em Reijnders e este mete em Malen. O movimento é bom, o remate também, mas a bola acaba no poste. Foi o primeiro aviso claro de uma equipa que estava confortável e a chegar com facilidade.

Pouco depois, um lance que mostra bem a dinâmica ofensiva neerlandesa. Gakpo cruza, Summerville aparece bem e assiste Reijnders para o golo, mas tudo anulado por fora de jogo no início da jogada. Ainda assim, ficava a ideia: havia fluidez, havia ligação, havia perigo.

A Argélia tentava responder, mas sem sucesso. Tinha bola em alguns momentos, até equilibrava a posse, mas era uma posse vazia. Não havia progressão e não havia criatividade. Pelo contrário, acumulavam-se erros defensivos e perdas em zonas perigosas.

Summerville continuava a ser um dos mais ativos e volta a aparecer bem pela direita, conduz e serve Malen em zona de finalização, mas o remate sai completamente ao lado. Um falhanço difícil de justificar, ainda para mais num contexto em que o jogador precisa de afirmar posição.

Gakpo também teve espaço à entrada da área e obrigou Luca Zidane a uma boa intervenção, algo que se repetiu depois numa recuperação alta dos Países Baixos, novamente com o guarda-redes a evitar o golo. Aliás, se há destaque do lado argelino na primeira parte, é mesmo Luca Zidane, porque a equipa oferecia demasiado.

O único sinal ofensivo da Argélia surge numa bola parada, num canto que acaba num remate fácil para defesa. Muito pouco para uma equipa que, mesmo sendo inferior, podia e devia ter mostrado mais.

A segunda parte não muda muito o cenário. Malen volta a ter uma grande oportunidade após erro defensivo, passa por dois, mas finaliza mal, ao lado. Mais um momento que espelha bem o jogo dele: envolvido, mas ineficaz. Do outro lado, Amoura ainda aparece numa desmarcação interessante, mas Van Hecke resolve com um corte limpo. Foi um dos raros momentos em que a Argélia conseguiu aproximar-se com algum critério.

Os Países Baixos continuavam a tentar, com Kluivert a rematar de fora e a obrigar novamente Luca Zidane a intervir, e depois numa boa combinação entre Kluivert, Gakpo e Depay, mas sempre a faltar definição no último gesto.

E é aqui que o jogo ganha aquele lado quase irónico. Tanto domínio, tantas oportunidades, e nenhuma concretizada. A Argélia, mesmo sem jogar bem, manteve-se viva. E aproveitou.

Aos 86’, bola na direita para Anis Hadj Moussa. Recebe no um para um contra Hato, puxa para dentro com qualidade e remata colocado, forte, sem hipótese. Um golo de talento puro, num contexto onde praticamente não tinha aparecido. 0-1.

Até ao fim, mais emoção do que qualidade. Os Países Baixos tentaram reagir, mas já sem clareza. E a Argélia segurou, com mérito na resistência, mas também com a sensação clara de que foi eficaz no único momento em que realmente criou perigo.

Pós-jogo

Resultado enganador pelo que foi o jogo. Países Baixos foram claramente superiores durante grande parte do tempo, criaram mais, chegaram mais vezes e tiveram várias oportunidades claras, mas faltou eficácia, especialmente a Malen, que teve uma exibição muito fraca na finalização.

Estatísticas no final do jogo

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