· 2 min de leituraNeste Portugal vs Uzbequistão analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era um jogo de pressão total para Portugal e isso sentiu-se logo na entrada. Nada a ver com o jogo anterior. Mais intensidade, mais gente ligada ao jogo, mais vontade de resolver cedo. Logo nos primeiros minutos já havia sinais disso, com Bruno Fernandes a aparecer dentro da área e Nuno Mendes a criar perigo pela esquerda.
E a resposta não demorou. Aos 6’, Cancelo recebe na direita, levanta a cabeça e mete uma bola rasteira perfeita. Cristiano Ronaldo ataca o espaço com aquele timing que não se ensina e finaliza de primeira. Um golo necessário de uns dias em que sofreu muita pressão e ódio desnecessária. Ronaldo escreveu história e é o primeiro jogador da história a marcar em seis mundiais.
O impacto foi imediato. Portugal soltou-se completamente e o Uzbequistão ficou ainda mais enterrado, num bloco baixo sem qualquer capacidade de sair. Era praticamente ataque contra defesa.
Aos 17’, novo momento chave. Livre frontal e toda a gente à espera de Cristiano. Mas há inteligência na decisão. Nuno Mendes assume e bate de pé esquerdo com qualidade, colocando a bola no fundo da baliza. Um golo que surpreende pela execução e pela decisão.
Com 2-0 cedo, o jogo podia ter ficado controlado de forma tranquila, mas houve um pequeno sinal de alerta quando Ganiev marcou num lance em que Cancelo perde a bola. O golo é anulado por falta, mas o aviso ficou. Portugal não podia desligar, porque já tinha pago caro por isso antes.
Mesmo assim, a resposta foi forte. A equipa manteve a pressão, continuou a recuperar bolas alto e a empurrar o adversário. E é exatamente dessa pressão que nasce o terceiro.
Aos 39’, recuperação já perto da área, Bruno Fernandes conduz em transição e solta na direita para Ronaldo. Ele recebe, olha e remata cruzado, no momento certo, no contra-pé do guarda-redes. Ronaldo ia calando quem o chamou de ‘washed’.
A segunda parte trouxe menos intensidade, mais gestão. O Uzbequistão continuava fechado, mas já sem grande agressividade. Portugal também não forçou tanto, mas continuava por cima.
Num lance de bola parada, aos 60’, chega o quarto. Canto batido curto, bola rasteira no primeiro poste, há um desvio no meio da confusão e a bola acaba por bater em Khusanov antes de entrar. Um golo algo caótico, mas que mostra trabalho claro neste tipo de situações. 4-0.
A partir daí, o jogo entrou num ritmo mais baixo. Portugal controlava sem acelerar, o Uzbequistão não tinha argumentos para reagir e o tempo foi passando sem grande história.
Ainda assim, faltava um último momento. Aos 88’, bola solta na área, aliviada da maneira que dá e Rafael Leão aparece com espaço. Sem pensar muito, remata forte e coloca a bola no ângulo. Um golo de execução pura, a fechar o jogo com qualidade. 5-0.
No fundo, foi uma resposta clara. Portugal entrou pressionado, mas resolveu cedo e nunca mais largou o controlo.
Pós-jogo
Resposta forte de Portugal depois das críticas. Entrada intensa, eficácia nos momentos chave e um jogo resolvido cedo. Ronaldo decisivo, histórico e a equipa mais solta e muito mais próxima do que se espera.


