· 2 min de leituraNeste Suíça vs Canadá analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era um jogo com peso competitivo real. Última jornada da fase de grupos, confronto direto pelo primeiro lugar e, acima de tudo, a diferença entre um caminho mais acessível ou mais complicado no mata-mata. E isso sentia-se. Não tanto na qualidade, mas na tensão.
Nenhuma das duas seleções tinha convencido até aqui e isso voltou a aparecer. A Suíça entrou melhor, mais confortável com bola, mais tempo instalada no meio-campo ofensivo, mas sempre com alguma previsibilidade. Ainda assim, foi quem criou o primeiro momento realmente perigoso. Aos 11’, Ricardo Rodríguez mete um passe de rutura perfeito para Embolo, que aparece isolado, com tempo e espaço, mas define mal, demasiado à figura. A bola ainda sobra para Manzambi, que remata contra um defesa. Era um lance claro demais para não dar golo.
O Canadá demorou mais a entrar, mas quando o fez, mostrou que conseguia ferir. Sem grande volume, mas com alguma objetividade. O jogo foi ficando mais físico, mais nervoso, e isso ficou evidente num lance aos 30’, quando Larin tira a bola sem necessidade e acaba por gerar uma pequena confusão com Xhaka. Nada de mais, mas o ambiente aqueceu.
Dentro desse contexto, o Canadá teve uma boa oportunidade com Larin, que recebe na área em transição, hesita e remata de pé direito já pressionado, quando tinha tudo para finalizar mais cedo de esquerda. Decisão errada num lance promissor.
No geral, foi uma primeira parte equilibrada, mas sem grande brilho. A Suíça com mais bola, o Canadá mais direto quando conseguia sair, e a sensação de que o jogo podia cair para qualquer lado.
A segunda parte muda cedo e muda muito. Aos 46’, a Suíça desbloqueia. Manzambi ataca a profundidade, recebe na direita e mete a bola na área. Vargas aparece completamente solto, com tempo para dominar, pensar e escolher o remate. A bola ainda bate no poste antes de entrar. Um erro claro de Alistair Johnston, que perde completamente a referência e permite demasiado espaço dentro da área. 1-0.
A Suíça ganha confiança e mantém o controlo. Sem acelerar muito, mas sempre mais confortável. E aos 57’, chega o segundo. Embolo recebe, segura bem, atrai dois centrais e solta no momento certo para Manzambi, que aparece de frente para a baliza. O remate não é perfeito, Crépeau ainda toca com a mão, mas a bola entra na mesma. Um lance bem construído, mas com clara responsabilidade do guarda-redes.
Com dois golos de vantagem, a Suíça perde a posse de bola e o Canadá percebe que tem de arriscar. O jogo muda de direção. Mais posse para os canadianos, mais presença no meio-campo ofensivo e outra agressividade.
E isso resulta aos 76’. Saliba recebe na desmarcação, faz um domínio difícil com muita qualidade e levanta a bola para a área. Promise David aparece em movimento e finaliza de primeira, já em esforço, com a bola a entrar sem hipótese. Um golo que devolve o jogo. 2-1
A partir daí, é mais emoção do que controlo. O Canadá cresce, acredita e começa a empurrar. Cornelius ainda aparece num cabeceamento perigoso e a Suíça vai sentindo dificuldades para segurar a bola. Já não consegue controlar como queria.
E já nos descontos, Promise David ainda tem mais uma oportunidade de cabeça, mas a bola perde força após bater no chão.
Pós-jogo
A Suíça fez o suficiente para ganhar, muito por culpa da eficácia e dos erros do Canadá. Não foi uma exibição brilhante, mas foi competente quando teve de ser.
Já o Canadá pagou caro pelas falhas defensivas e pela falta de decisão nos momentos chave. Cresceu tarde, reagiu bem, mas não chegou. Fica a ideia de que podia ter feito mais.


