Alemanha 1 (3) – (4) 1 Paraguai | Análise

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Neste Alemanha vs Paraguai analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.

Era um daqueles jogos em que o favoritismo existe no papel, mas dentro de campo precisa de ser confirmado. E a Alemanha, mais uma vez neste torneio, mostrou que isso não é assim tão simples. Teve bola, teve controlo territorial, mas voltou a faltar aquilo que realmente decide jogos: capacidade de criar perigo.

O Paraguai fez exatamente o que se esperava. Bloco baixo, linhas juntas, 4-4-2 muito compacto e uma ideia clara de sofrimento. Não queria jogar, queria resistir. E durante muito tempo, conseguiu fazê-lo com uma tranquilidade surpreendente.

A Alemanha circulava, trocava, tentava encontrar espaços, mas era tudo muito previsível. Faltava aceleração, faltava ruptura, faltava alguém assumir. E quando assim é, defender torna-se muito mais fácil.

E o mais curioso é que, mesmo sem fazer praticamente nada com bola, o Paraguai ia equilibrando o jogo. Não criava muito, mas também não permitia. E num jogo assim, um detalhe pode mudar tudo.

Esse detalhe apareceu aos 41’. Canto para a Alemanha, a bola é aliviada, mas o Paraguai recupera e sai rápido para o segundo lance. Galarza recebe na direita, levanta a cabeça e cruza com qualidade. Enciso aparece sozinho na área, sem grande oposição, e cabeceia com precisão para o fundo da baliza. Um golo simples, mas muito bem trabalhado no aproveitamento do momento.

E o impacto foi imediato. O Paraguai ganha ainda mais confiança, baixa ainda mais as linhas e começa a jogar com o relógio. Já a Alemanha entra naquele registo de ansiedade, de querer resolver rápido, mas sem saber bem como.

Na segunda parte, a reação alemã até surge relativamente cedo. Aos 54’, Wirtz recebe na esquerda, ganha espaço e cruza tenso para a área. Havertz, de costas para a baliza, desvia de forma subtil, quase sem preparação, e a bola entra colocada. Um toque de qualidade num lance que não parecia dar muito.

O empate muda o cenário, mas não muda totalmente o jogo. A Alemanha cresce, pressiona mais, começa a empurrar o Paraguai para trás, mas continua a pecar na decisão. Há remates bloqueados, cruzamentos em excesso, muita insistência, mas pouca clareza.

O Paraguai, por outro lado, aceita esse papel. Defende, alivia, tenta sobreviver. E quando sai, sai sempre em inferioridade, sem grande hipótese de criar perigo.

Com o passar do tempo, o jogo transforma-se quase numa avalanche alemã. Cruzamentos atrás de cruzamentos, bolas paradas, segundas bolas, mas sempre com a sensação de que falta qualquer coisa no último toque.

No prolongamento, o cenário mantém-se. A Alemanha tenta, o Paraguai resiste. Houve até um momento em que Tah marcou de cabeça, completamente solto ao segundo poste, mas o lance é anulado por falta sobre o guarda-redes. Decisão discutível, mas que mantém o empate.

E o jogo acaba por ir para onde o Paraguai sempre quis: os penáltis. Aí, já não há tática, há nervo.

A Alemanha falha mais do que pode. Havertz permite a defesa, Woltemade também não consegue converter, e Tah, já numa fase decisiva, atira para fora. Do lado do Paraguai, também há falhas, mas menos. Canale acerta o seu pénalti e a história está feita.

Pós-jogo

Eliminação pesada para a Alemanha, mais pelo que não jogou do que pelo resultado em si. Muita posse, pouca ideia, e uma insistência constante sem critério.
Já o Paraguai faz exatamente o jogo que queria: sofre, resiste e leva para os penáltis. E aí, foi mais eficaz. Não é bonito, mas é futebol de mata-mata.

Estatísticas no final do jogo

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