· 2 min de leituraNeste Japão vs Suécia analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era daqueles jogos em que toda a gente sabia que podia decidir tudo, mas dentro de campo demorou muito a parecer isso. Japão e Suécia entraram com mais medo de errar do que vontade de ganhar, e isso notou-se demasiado.
A Suécia até começou melhor, mais agressiva nos duelos, mais direta, muito à procura da vantagem física, sobretudo no jogo aéreo. Mas havia um problema claro: ganhava metros, mas não criava nada. E isso foi-se arrastando.
O Japão, por outro lado, foi crescendo devagar. Não com perigo, mas com bola. Mais paciente, mais organizado, a tentar encontrar espaços, mesmo que raramente conseguisse. E o jogo entrou ali numa fase quase morna, sem grandes momentos, sem criatividade, muito estudo e pouca ousadia.
Só perto do intervalo é que apareceu algo mais sério. Numa jogada pela esquerda, Keito Nakamura consegue finalmente dar alguma vida ao ataque japonês, entra na área e remata com intenção, obrigando Jacob a uma boa defesa. Não foi uma grande oportunidade, mas foi o suficiente para mostrar que o Japão estava a tentar algo diferente.
Mesmo assim, a sensação ao intervalo era clara: muito pouco para um jogo com tanto em jogo. Faltava risco, faltava qualidade no último terço, e sobretudo faltava alguém assumir.
A segunda parte muda isso, mas não de forma contínua, mais em momentos.
O Japão começa melhor, mais solto, mais rápido nas decisões. E isso acaba por dar resultado aos 56’. Jogada simples, mas bem feita. Tudo pelo chão, sem complicar. Doan recebe, levanta a cabeça e mete um passe perfeito na desmarcação de Maeda. E aqui está o detalhe: Maeda não inventa, não força, só tira do guarda-redes com calma. Um golo limpo, coletivo, exatamente o tipo de lance que faltou na primeira parte. 1-0.
Mas o jogo nem teve tempo para assentar. Aos 62’, resposta imediata da Suécia. Elanga recebe na direita, encara, puxa para dentro e remata. Não é um remate impossível de defender, mas a bola sai com uma curva muito bem feita e engana Suzuki. 1-1.
E com o empate, o jogo finalmente ganhou vida. A Suécia cresceu emocionalmente, começou a acreditar mais, e teve ali alguns minutos fortes. Isak ainda tentou de longe e obrigou Suzuki a intervir, e já se via uma equipa mais ligada ao jogo.
Só que o Japão não desapareceu. Continuou organizado, continuou a procurar o momento certo. E houve um lance que podia ter decidido tudo: recuperação alta, Kamada cruza e Koki Ogawa aparece a esticar-se, mas não consegue dar direção ao toque. Era o tipo de lance que define jogos destes.
Nos minutos finais, o jogo abre completamente. Já não há tanto controlo, é mais coração. A Suécia parece querer mais, talvez por sentir que podia mesmo virar, e Suzuki acaba por ser decisivo. Primeiro a parar Elanga e depois a negar Isak num cabeceamento difícil.
Pós-jogo
Empate que acaba por ser justo, mas que sabe a pouco para quem viu o potencial do jogo. O Japão foi mais organizado e teve melhor ideia de jogo, mas faltou-lhe agressividade constante.
Já a Suécia viveu muito de momentos e de talento individual, especialmente de Elanga, mas só acordou verdadeiramente depois de sofrer.


