· 2 min de leituraNeste México vs África do Sul analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Mundial começa e começa com um daqueles jogos que dizem muito mais pelo contexto do que propriamente pela qualidade. México em casa, no Azteca, a abrir a competição, com toda a pressão e entusiasmo do mundo. Do outro lado, uma África do Sul frágil, num momento mau, claramente inferior, e com uma ideia simples: sobreviver.
O México entrou melhor, como era esperado, mas sem acelerar demasiado. Logo cedo, Raúl Jiménez apareceu com espaço na área após um bom passe vindo da direita e rematou com força, obrigando Ronwen Williams a uma boa defesa. Foi o primeiro aviso sério e mostrava que, sempre que o México encontrava espaço, criava perigo.
O golo chega aos 9’ e nasce exatamente dessa agressividade na pressão. Recuperação de bola em zona alta, já perto da área adversária, e Quiñones não hesita: remate forte, rasteiro, a passar por baixo das pernas do guarda-redes. Um lance simples, mas que expõe a dificuldade da África do Sul em sair a jogar sob pressão.
A partir daí, o jogo entra num ritmo mais controlado. O México não precisa de forçar, gere o jogo com alguma tranquilidade, enquanto a África do Sul tenta ter bola, mas sem qualquer capacidade real para criar perigo. Nota-se uma equipa limitada, previsível, muitas vezes sem saber o que fazer quando entra no meio-campo ofensivo.
Ainda assim, sempre que o México acelera, volta a criar perigo. Raúl Jiménez volta a aparecer num cruzamento, mas não consegue acertar bem na bola num movimento mais complicado. Logo depois, Quiñones acerta no poste, num remate que podia perfeitamente ter resolvido o jogo ainda antes do intervalo.
A sensação ao intervalo é clara: o México está confortável, controla o jogo à sua maneira, sem necessidade de dominar completamente. Já a África do Sul está presa ao seu próprio limite.
Na segunda parte, o jogo muda definitivamente aos 50’. Bola na profundidade para Gutiérrez, linha defensiva subida da África do Sul e Sithole chega atrasado, faz a falta e vê vermelho direto. A partir daqui, deixa de haver jogo.
Com mais um jogador, o México passa a controlar ainda mais, mas curiosamente sem carregar muito. Mantém a mesma abordagem, paciente, à espera do momento certo.
Esse momento chega aos 67’. Quiñones conduz por dentro, atrai marcações e solta na direita para Alvarado. O cruzamento sai perfeito e Raúl Jiménez aparece no timing certo, a cabecear para o fundo da baliza. 2-0.
A partir daí, o jogo entra num registo quase de gestão total. A África do Sul, já limitada, desaparece completamente com menos um jogador. E tudo piora ainda mais quando, aos 83’, Zwane é expulso após VAR por agressão. Um momento completamente evitável que resume bem o descontrolo da equipa.
Ainda houve tempo para mais um momento relevante, já nos descontos, com César Montes a ser expulso após parar um contra-ataque como último homem.
No fim, o México faz o suficiente, sem encantar, mas sem nunca perder o controlo. Uma vitória lógica, num jogo que vale mais pelos três pontos e pelo arranque do Mundial do que pela exibição.
Pós-jogo
O México cumpre, sem deslumbrar, mas mostra maturidade para gerir jogos e aproveitar momentos. Já a África do Sul deixa uma imagem fraca, limitada e ainda por cima indisciplinada, complicando desde cedo qualquer hipótese no torneio.


